Minhas mãos ainda vagueiam...
Talvez, se vagassem,
não poderiam ter
os sentimentos que me torneiam,
que esculpem meu corpo,
ainda vivo...
Não mais quero te abrir,
e ficarás assim,
como se nada houvesse...
Me aquieto, ouço minha prece...
Calo-me, estas à minha frente,
teu corpo presente,
ainda me mata...
Não vês o pouco que me resta?
Não vês, que tuas mãos em minha cabeça,
não alcançam minha testa?
Cruzo meus dedos,
afogo meus medos,
não mais vou te abrir...
Te abandono
para nunca mais...
Não mais te ouvir,
não mais te tocar,
não mais te sentir...
Te deixo,
esqueças meus ais,
podes ir...
Ainda assim,
minhas mãos vagueiam
e, nas vagas,
por mais que me perca,
posso sentir
tuas espirais...
tio ed (29/04/2014)