terça-feira, 29 de abril de 2014

ESPIRAIS

Minhas mãos ainda vagueiam...

Talvez, se vagassem, 
não poderiam ter
os sentimentos que me torneiam,
que esculpem meu corpo, 
ainda vivo...
   
Não mais quero te abrir,
e ficarás assim,
como se nada houvesse...
   
Me aquieto, ouço minha prece...
   
Calo-me, estas à minha frente,
teu corpo presente,
ainda me mata...

Não vês o pouco que me resta?
Não vês, que tuas mãos em minha cabeça,
não alcançam minha testa?
      
Cruzo meus dedos,
afogo meus medos,
não mais vou te abrir...

Te abandono
 para nunca mais...

Não mais te ouvir,
não mais te tocar,
não mais te sentir...
   
Te deixo, 
esqueças meus ais,
podes ir...
   
Ainda assim,
minhas mãos vagueiam
e, nas vagas,
por mais que me perca,
posso sentir
 tuas espirais...
   
tio ed (29/04/2014)


quinta-feira, 17 de abril de 2014

FUGA

Tantas as vezes que correstes de mim...

Mãos...
 minhas pequenas mãos,
buscavam parar
os olhos não me viam...

Olhos que percorriam os mundos,
Pobres vagabundos,
 fugiam assim...
   
Hoje. talvez, possas enxergar,
Dos tantos que te quis amar,
Dias loucos, morrendo aos poucos,
o verso, que procurei entregar...
  
Talvez, antes, não vias,
eu, tão pequeno, 
procuravas o que sabias...

De olhos fechados,
te entregava,
o tudo
 que não querias...

Meus olhos fugiam assim...
  teus olhos desviavas de mim...

Assim, marcando a vida,
abriguei, dei doce guarida,
aos dias
que tantas vezes
correstes de mim...

tioed (17/04/2014)