Trago nas mãos vazias
o pouco que me destes,
mãos paradas, escancaradas,
apresentando, rasgadas,
as tuas vestes...
Viestes assim... nada querias...
Do nada que querias, tudo tivestes.
...meu corpo bailando ao ar...
Sugastes tanto, que me pus a sufocar...
Presa em minha garganta,
rasgando minhas entranhas,
não queres mais sair, e assim se aflora...
não quero mais, te jogo fora...
Preparo minha boca,
encho os pulmões, e, cuspo...
Cuspo...
Eis um pedaço de corpo que não quero...
Me pego ao meu corpo,
o escarro que sai de mim,
é tudo que posso, é tudo que passo,
é tudo que mereces...
Cuspo...
Enroscando na garganta,
seu corpo se ergue, se levanta,
cresce à minha frente,
se impõe valente...
Mesmo assim, cuspo...
Cuspindo te jogo,
e vais ao chão,
junto com o meu escarro...
tioed (20/02/2014)
O esboço desta poesia estava guardado em um canto de gaveta, em Maceió...
Iniciada em 28/02/2013, hoje concluída, vai ao mundo...
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