sexta-feira, 2 de setembro de 2016

CULTO

Eu não diria ser
um poeta oculto,
mas perguntaria:
- poeta ou culto?

É a questão que me persegue ha tantos anos,
passo a passo, que triste sina...
Eu, que renasci de desenganos,
Andando longe da luz que ilumina,

e do fantasma da amada que me busca,
e do pó de vida, que o vento varreu...
Do poeta, eu diria que chamusca,
um pouco da vida, que a vida me deu.

Do esquife com que me presentearam,
restos mortais levanto, como vulto,
imagens dos sóis que pratearam
a porta frontal e o cruzeiro, 
da capela deste culto.

tioed (19/08/1975)

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