domingo, 10 de dezembro de 2017

MORTE E VIDA

Um doce entardecer,
o dia quase a morrer,
o sol se apegando 
as poucas nuvens 
que tentam, em vão,
não escurecer.

Abrem-se as cortinas
de um novo palco.
Quedo-me aqui, frente a praia,
ondas tristes lambendo a areia
repetindo o vai e vem.

Volto os olhos aos pés,
o pisar na areia me envaidece, 
o cair da tarde me enche de mim,
pleno de mim deixo o dia,
vivo, e, quando vivo, anoitece.

Nem parece que o tempo passou.
Estrelas lânguidas abrilhantam o céu.

O dia morre,
estou nascendo,
vinde, vida,
a noite começa a viver.

tioed (10/12/2017)




segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

NEGO

NEGO

Nego a ti os versos meus,
que dos meus, 
não saberás.

Dos teus, muito aprendi,
apreendi,
e por eles, não morri.

Não morri pelos teus,
e pelos meus,
não morrerás.

A ti, eternizastes, 
cravastes o é por não é....
"E agora José"?

Dou um "stop" no meu carro,
jogo meus versos,
eis meu escarro.

Nego a ti os versos meus...
Cerro tua lápide, como um poeta faz:
não haverá "aqui jaz". 

(tioed 14/10/2017)

Versos dedicados a Carlos Drummond de Andrade