sábado, 24 de agosto de 2019

FIM DAS TARDES

Desliza o sol pelo céu da tarde,
cai preguiçoso, sem pressa.
 Cospe gotículas o mar
molhando minhas costas.

Horizonte ao longe, sem alarde,
a boca da noite, de abrir não cessa,
esperando o sol baixar,
entrando em sua boca, de mãos postas.

Volto o corpo, a frente o mar,
outro horizonte, um novo céu,
outro espetáculo a raiar,
abre-se a noite, despindo seu véu.

Nuvens envolvem a lua cheia,
voam mariposas, morcegos vampiros,
aranhas tecem sua teia,
ofegantes aos doces suspiros.

Dou-me ao mar, ondas a me abraçar,
fim das tardes, doce açoite,
dou-me ao mundo, vou me saciar,
todos os animais saem a  noite.

tioed (24/08/2019)



quarta-feira, 21 de agosto de 2019

CAFÉ DA MANHÃ

Eis-me cambaleante,
tranço as pernas,
quase não ando...

Porque outra vez fui beber?
Essa bebida faz mal,
me maltrata.

Sempre que você me vem a mente,
eu bebo, tomo todas,
me embriago de você.

Eis-me neste instante,
saudades eternas,
coração amando...

Então, o que fazer?
A bebida fatal,
a bebida me trata.

Sempre que você me vem a mente,
eu bebo todas, eu me embriago,
bebo o café da manhã.

tioed 21/08/2019)


domingo, 4 de agosto de 2019

ENTRE SONHOS

Vou cochilando aos poucos,
pálpebras quase mortas,
me pego aos sonhos poucos,
cochichando aos teus ouvidos.

Não me ouves, sequer me importo,
entre um sonho e outro, me ponho,
não me acho, me transponho,
não suporto os teus alaridos.

Se te importa, sonhos loucos,
sôfregos, ansiedades pobres,
me despertam sonhos nobres
dos amores arrefecidos.

Sonhos entrecortados, amuados
sonhos maus, dos mal amados,
sonhos calados, 
cortados, 
citados,
coitados.

Sonhos dos sonhares,
entre dormires e acordares,
sôfregos momentos,
meus acalentos,
cochichos barrentos, 
cochilos "marrentos".

tioed (04/08/2019)




SOLTOS AO VENTO

Na noite que me envolve,
teus cabelos negros ainda bailam no ar,

envolvidos pela brisa leve que sopra.

 Queria eu, o vento parar,
 queria não ter o momento, 
de sentir esse vento, 
não queria ter o tormento, 
de cabelos negros esvoaçantes, 
tecendo essa teia
que envolve o meu coração.

Estou frente ao mar,
ondas bailam sobre a areia,
vagas ondas,
vãos momentos,
meus sentimentos vão,
não querem parar.

Ondas dançantes molham meus pés,
ventos incessantes, tormenta revés,
momentos marcantes.

Cabelos negros brilhantes
pulsam no ar,
soltos, 
largados ao vento,
tecendo a teia nesse coração,
que, como as ondas,
vão e voltam,
não se cansam de bailar,
soltos ao vento.

tioed (04/08/2019)