Os versos de um poeta não têm dono,
poetas também não tem donos...
nem as musas os prendem,
as musas os perdem,
poetas e musas,
sóis e luas...
Suas mãos não seguram as minhas,
como as minhas,
não seguram
as suas.
Portanto por ora eu paro, não mais escrevo
susto minhas mãos, deixo as canetas
essas vadias escrevem
versos alhures,
pedidos,
pernetas.
Ora, se não são meus nem seus, os versos,
aquieto meus feitos, meus vãos.
Esses pequenos perversos
deixam minha alma,
peito meu te acalma,
segura por vez,
minha mão.
Versos que jogo aos montes, querida,
por favor, não me afrontes,
não são meus, nem seus
deixe-os perdidos,
ao lado, sim,
nos horizontes.
tioed (28/09/2021)