quinta-feira, 9 de setembro de 2021

 QUIRIRI


Na sublime calada
a noite se esvazia
e se enche a madrugada
da mais pura poesia.

Poesia que canta a morte
da noite que parte, triste,
que morre e tenta ser forte,
e, que forte ainda persiste.

Persiste, rouba e tira,
arranca uma a uma, do céu,
as estrelas, que ao som da lira,
dançavam soltas, vagando ao léu.

E sobrevive na madrugada,
só de penumbra, só de brisa,
de orvalho toda enfeitada.
(Assim, orgulhosa, na noite pisa.)

A noite se foi, não deixou nada,
levou as estrelas e até a lua,
foi-se a imagem tua,
despida dos pudores, pelada, nua.

A noite se esvai, não deixa nada,
da madrugada, vive a poesia,
que meiga, desconcentrada,
não vê, não percebe,
que se aproxima o dia.

Frio, como fria se iniciou a madrugada,
me ponho inerte, absorto, mudo...
e, mudo, não vi, qual morto,
que te pusestes ante mim, desnudo,
e em ti, desnuda,
se esvai o frio da madrugada...

Continuo inerte ao ver que vem o sol,
sentindo que se vai a lua,
trazendo em meu corpo o teu cheiro,
que se espalha por toda a rua.

tioed em qualquer dia, década de setenta, século XX.

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