quarta-feira, 30 de julho de 2014

ESPECTRO

Nem mesmo tinha entrado em casa,
olhei os espelhos,
não me viam,
quebrei-os todos...
   
Eles, não me olhavam
com os mesmos olhos,
que eu olhava pra eles...
   
 tioed (30/07/2014)

terça-feira, 29 de julho de 2014

VINHO

Aí estás, como sempre,
envolta em ti, 
te sinto a mesma,
como sempre senti.
   
Nem de ti me aproximo,
ao longe me ponho,
não quero estar perto,
te sinto como em sonho.
   
Nem de ti,
meu corpo se abraça,
não bebo o vinho,
sustento a taça.
   
Nem ante ti,
meu corpo se acha,
admirando,
não bebo deste vinho,
apenas guardo a cachaça...
   
tioed (29/07/2014)

domingo, 27 de julho de 2014

DOMÍNIO

Já tens minha alma,
viestes assim,
sem querer nada,
até me possuir por todo...
   
E, por tudo me dei,
me deixei,
me entreguei,
me dei por nada...

Já que me tens,
prova-me por inteiro,
saiba do que sou capaz,
serei só teu,
um pedaço,
um capataz...
   
Do nada,
 levastes minha alma,
então, suplico,
segure minha mão,
já tens minha alma,
deixe em paz,
meu coração...
   
tioed (27/07/2014)


sexta-feira, 25 de julho de 2014

ENTREGA


Vampiros me beijem,
despertei de noites escuras,
rasguem meus céus,
me amparem...
   
Noites rasgadas,
maltratadas vestes
me envolvem...
   
Onde estás, que não me vês?

Moras nos meus sonhos,
nos dias,
quando o sol não vem..
   
Guardo minhas noites,
espero teus lábios,
que ainda irão me abrigar...
   
Desesperadas horas,
não matem minha canção...

Deito meus lábios,
me beijem,
 eis meu coração...

Vampiros, me beijem,
pois que minha amada,
não ouve...
   
Vou parar meus tempos,
secar meus lábios,
já a manhã se chega...

A volta já se demora,
te quero, como sempre,
e agora,
por volta de uma,
como as horas,
não me namores...

Me dou aos vampiros,
deito meus lábios,
não te demores...
  
tioed (24/07/2014)

quinta-feira, 24 de julho de 2014

4 DA MANHÃ







Nasce pobre, o crepúsculo vespertino,
        deitando sombras, abrindo meu destino...
Agita-se meu corpo, o coração acelera,
desperta o vampiro, outra noite me espera...
   
Trêmulas mãos, quase a lápide não arrastam, 
debilitado o corpo, poucas forças não bastam,
trepidando, levo este corpo exangue,
deixo o mausoléu, parto em busca de sangue...

      Sopra brisa leve, em minha cripta,               
suave, lumes nos candelabros agita,
toca minhas pálpebras cerradas,
findando um novo dia, tardes acabadas...
    
   Esperam-me ruas, becos, alamedas escuras,
o encontro da sobrevida, lar das amarguras...
Lanço-me ao destino, arrasto-me à sorte,
esqueço a tumba, busco vida, sufoco a morte...
   
Ao longe, suspiros, passos marcam forte o chão...
Sôfregas nuvens envolvem, da lua, o clarão...
Um doce perfume, já conhecido, preenche o ar
flutua minha alma, vida, desejo de amar...
  
Sigo... bem sei onde me levam os perfumes,
sufocam a garganta, quebram meus queixumes...
Sei... esse não é um perfume qualquer,
tem odor adocicado, suave, perfume de mulher...
   
Por mais que fujas,
por mais que te abrigues,
te sigo e te encontro, 
em vida ou em morte, sem calma,
pois busco tua alma...

Cadenciando, sorrateiro, passo a passo,
sigo as batidas do coração, não perco o compasso,
vivenciar, eis por onde vou,
re-vivenciar, no caminho onde estou...
   
Vivenciando, te deixarei me amar,
seguindo, como sempre, o teu perfume,
me farei inebriar,
até que, em um ato místico,
não tenhamos só os corpos...

Nos faremos em amor,
até que haja a perfeita purificação,
em um ato místico de entrega,
em busca do inatingível,
nos faremos amar...
      
Ainda, envolto em sombras, me abrigo...
nas alamedas infindáveis, te sigo...
logo, o sol estará deitando suas cores,
no negrume do céu...

Como sempre tem sido,
por todos os dias,
descortinará o véu...
   
chegando minha hora,
       fujo da luz,
volto ao mausoléu...
   
tioed (24/07/2014)


link: http://edivalamorim.blogspot.com/2014/01/4-da-manha.html

Foto e montagem Darcy Puga



quarta-feira, 23 de julho de 2014

FLOR DE MAIO

Como flor de maio,
um dia,
 plantada em meu jardim,
te aproximavas de mim...
   
Já plantada,
já cultivada,
tuas raízes,
plantavas em mim...
   
Te dei canto,
te dei planto,
te plantei,
dentro de mim...

Florescestes,
te vi crescer, 
no renascer,
fortalecestes...
   
Como flor de maio,
replantada,
florescida,
te fizestes esquecida...
   
Então, saístes
do meu jardim,
sem perceber
que tuas raízes,
ficaram em mim... 
   
   tioed (23/07/2014)

quinta-feira, 17 de julho de 2014

MENSAGEM

Tanto que esperei,
tanto que fechei o coração,
tanto que quis esconder...
   
Durmo assim,
envolto em mim,
agora,
 que aqui estou,
penso,
sem saber
 o que faço de mim...
   
tioed (17/07/2014)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

SENTIMENTOS NA TELA

Sentimentos
tenho por aquela
que me deu a vida,
nunca esquecida,
 levarei ate morrer ...
   
Sentimentos
 ponho na tela,
  não posso calar,
os olhos umedecem,
  não posso falar ...
   
Ah! quem me dera,
Outra vez,
 seus seios sugar ...
   
Eternizando a vida,
minha querida,
meus lábios cerram,
meus joelhos dobram,
te ponho na tela,
para sempre te amar ...
   
tioed (16/07/2014)





HOJE

Hoje,
Como se houvesse um ontem,
amanheci ...
   
Ainda 
apegado aos passados,
adormeci ...
    
Figuras na minha mente ...

Corpo presente
espero o amanhã,
me afasto de mim ...
   
Hoje posso ver  minha rua,
vejo minha alma
afastada da tua ...
   
Passam almas,
passam vidas ...

 Como nas minhas,
pelos caminhos
perambulas ..

Na minha mente
quase desnuda,
como se ontem,
hoje,
a vida minha vida
passa pela sua..
   
tioed (15/07/2014)

domingo, 13 de julho de 2014

DEDOS PROFANOS

Meus dedos não escrevem,
 não seguem minhas  mãos,
me traem,
deixam-me perder você ...

     Não seguram a caneta,
 não suportam as penas,
 não param de tremer ...
   
Uns dedos vadios,
meus dias idos,
os dias queridos,
 não me deixam escrever ...

(meus desenganos, 
não me deixam ver)  

Meus dedos não me escravizam,
não matam minhas mãos,
 não seguem meus perdões,
não sabem da vida,
esqueceram minhas paixões ...
     
Malditos dedos
minhas penas esqueçam,
eu quero apenas
grafar como emoções...

Esquecer os corações
que me fizeram benditos ...
    
Uns dedos
 não me deixem escrever,
assim,
não vos dou minha amada ...

Podem meu corpo correr,
dedos profanos, vos deixo morrer...

Deixem meus lábios,
posso falar,
 não posso escrever ...
   
tioed (2014/09/07)




quinta-feira, 10 de julho de 2014

CRAVOS

Perpétua...

(como perpétuas as tens nos meus desdéns)

Tua doce mania,
de me deixar um "bom dia"
sem ter você...
  
Quando me falas,
os alaridos
maltratam meus ouvidos,
perco os sentidos,
me viro ao lado,
na minha cama,
a triste lama
me afoga em você...
  
Aí, pensando bem,
aos meus améns,
nos meus aquéns,
sobravam poucos de um você...

Pensava que me falavas,
doces palavras,
às escondidas
me crucificavas...

"Doces dias,
 os bons teus"...

Quanto mais eu te amava
os teus "bons-dias",
matavam minhas manias,
de viver sem você...
   
Lanço,
abro meus braços,
os meus cansaços me venceram...
  
Meus corpos me matavam,
enterravam os dias
os doces dias,
doces "bom dias"
que não perdi...
      
Pega o martelo,
te dou, 
de novo,
minhas mãos...

Podes pegar,
podes pregar,
apregoar...

Minhas mãos,
 que se fazem nuas
sempre foram só tuas...
   
Crave minha mão
apregoe meu coração,
bate o martelo,
podes perfurar,
podes cravar...

Quanto mais cravas,
minhas mãos escravas,
mais, e, mais,
se deixarão ser tuas,
sentindo-se nuas,
te entrego as duas
serão só tuas,
(podes pregar)
encravar...

   tioed (13/08/2013)

PERPÉTUA


Ah! Se pudesse,
com minhas mãos tirar,
arrancaria tuas raízes,
para não mais te lembrar...
   
Apagaria tuas glórias,
perderia todos os momentos,
sufocaria as memórias,
os lamentos,
os meus ais...
   
Crivada, como estás,
este pequeno ser, não suporta...
Se pudesse te veria morta,
te apagaria dos meus anais,
não te veria jamais...
   
Porem, assim como tenho,
perpétua no meu desenho,
não há ventos que levem,
borrachas não há que apaguem,
levo eterna, tua imagem...
   
Assim,
 gravada nos meus dias,
tuas lembranças aparecem,
está em mim 
cravada,
encravada
minhas memórias,
(cheias de glórias)   
não te esquecem...
   
tioed (10/07/2014)
   
Como sempre estás na minha,
tenha minha alma como
presente...



quarta-feira, 9 de julho de 2014

UM POUCO DE VIDA

Um espelho não basta,
minha tez de sempre casta,
não me deixa morrer ...

   Ainda insisto na vida,
olho para mim,
vou, você me arrasta,
inda sobra um pouco de mim...
   
Deixo um pouco de vida,
por mais que querida,
olho para ti...

Olho dentro dos olhos,
por mais que te veja,
minha querida,
resta um pouco de vida
por mais que esquecida,
 existe um pouco de vida,
dentro de mim...

   (tioed 09/07/2014)
   
(Véspera...
dedico à ti,
o pouco de vida,
que nunca morreu
dentro de mim...)
    

segunda-feira, 7 de julho de 2014

CAPAS DURAS

Minhas mãos,
 talvez tão frágeis,
não capazes  de te abrir,
 não são hábeis ...
   
Posso ver tuas páginas,
macias, suaves, 
não as posso revolver...
  
Ainda assim posso te levar,
acariciar...
   
Sem te abrir,
meus braços te envolvem,
minhas mãos te pegam,
minha vida te leva,
porem tuas capas,
não posso abrir...
   
tioed (07/07/2014)