PERFIL DA MORTE
Não sabes o sabor da morte.
Dela só fazes cavar o solo,
abrir o túmulo e me enterrar...
E nem sabes, se por verdade,
morto estou.
Não sabes o sabor da terra,
cobrindo um corpo que jaz,
nem de todo morto,
nem de todo vivo,
o que sobrou.
Nem sabes o prazer dos vermes
se alimentando nos restos do que fui,
da carne, que viçosa era,
separando os ossos do corpo,
que você matou.
Não, não sabes o sabor das raízes
da relva úmida, acima do túmulo
que você me enterrou.
Se soubesses, a ti mesmo matarias,
e te colocarias ao lado da vida,
que tanto te amou.
tioed (26/04/2017)
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