domingo, 27 de novembro de 2011

TRISTE VIVER



Ao acordar bem cedinho,
fico deitado a memorar,
o quanto fui feliz,
ao começar te amar.

Hoje, aqui, bem longe,
Fico tão triste em pensar,
como fosses cruel
ao deixar de me amar.

Mas, aos poucos vou sorrindo,
e aos poucos me consolo.
E até já percebi,
que por você, já não choro.

Sem mais vou terminando,
com uma saudade infernal,
Deixando um adeus amoroso,
do seu querido Edival.


 tioed (1968)

LUZ DOS MEUS OLHOS



Sinto que me amas,
como te amo, também.
Quando partires me chama,
que contigo irei, meu bem.

Teus olhos e teu sorriso,
são para mim esperança.
Tua voz é o paraíso,
do meu sonho de criança.

Tu és a luz dos meus olhos,
que cedo se apagará,
desta noite tão calma,
saudade, o que restará.

tio ed 1968

O TEU NOME

O teu nome vi escrito
há bom tempo, num cartão,
achei lindo, bonito,
guardei-o no coração.
O cartão ali ficou,
por muito tempo guardado,
mas, com o tempo desbotou,
apesar do meu cuidado.
  
Eu previa o desenlace,
esperava o triste fim,
que teu nome se apagasse,
Sem te ver perto de mim.
  
tioed 12/11/1968
  

IDEAL DE AMOR


Odeio aquelas almas onde encontro escrito,
uma história que um outro, antes de mim, viveu.
Dentro de um grande amor, o amor próprio se irrita,
encontrando um romance que não seja o seu.

Quero uma alma que seja inteiramente pura,
simples, onde não haja escrita uma só linha,
onde possa deixar um pouco de ventura,
aquela que pouco a pouco haverá de ser só minha.

Quero um amor de egoísta, todo meu, por inteiro,
que não traga um vestígio de afeição, sequer.
Se para ele eu não for o seu sonho primeiro,
desde já renuncio, à outro coração qualquer.

Somente assim desejo e quero ser amado,
e um grande amor assim, possa sentir.
Hei de ser o seu presente, hei de ser o seu passado,
e a esperança feliz, que doure o seu porvir.

Para um perfeito ideal, preencher minha vida,
ser toda minha crença, ou meu viver de ateu.
Não quero a alma que foi, por outro amor possuída,
nem quero aquele amor, que por um dia não foi meu.

Quero o amor em botão, fechado, pequenino,
que ao calor dos meus beijos, haverá de se abrir, então,
para ser a razão do meu próprio destino,
e a grandeza imortal,, da minha inspiração.

tio ed 1968

sábado, 26 de novembro de 2011

MARISA

MARISA


Muitas vezes a beira-mar
Sopra um fresco alento de brisa
 Que vem do largo a suspirar...
Assim é o teu nome, Marisa,
Que principia igual ao mar
E acaba mais suave que a brisa.

Manuel Bandeira

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A BELA E A FERA


Aí estás, diante de mim.
Eu posso te ver, tu sorris,
porem não me vês, és meiga,
eu faço parte dos homens vis.
  
Não és alta, nem muito baixa,
tens a medida certa.
tu nem me notas,
e mais meu coração se aperta.
  
Teus lábios não são finos,
nem carnudos,
dizes meigas palavras
que põem meus ouvidos desnudos.
  
Os céus murmuram sussurros
quando passa com passos macios
enches os corações todos de graça,
quando te vais, eles ficam vazios.
  
Ah! Meus braços esvoaçam
nesta triste desventura:
terem que esvoaçar,
sem poder abraçar tua cintura.
  
Eu faço parte dos homens vis,
tu passas radiante
passas e vais em um instante,
meu coração fica, e morre saltitante.
  
tioed 28/10/77
  

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

VIDA E MORTE

  
Eu poderia ter a vida,
sem ver a morte,
ter o corpo e alma
livres para transporte.
   
Ter as mãos soltas
a navegar pelos ares,
possuir deuses,
nas idas e voltas.
Possuir deuses e seus altares.
  
E nem me valeria, talvez,
das vezes em que subisse,
se, cada subida,
por sua vez,
me abalasse e eu caísse.
  
Pois cairia na morte,
sem ter sequer a vida,
sem ter, sequer, a sorte
 de ter seus braços,
minha eterna guarida.
  

tioed 31/10/1977

O PODER DO SILÊNCIO


Por mais sábio que eu seja,
sempre, alguém poderá me ensinar
muitas coisas.
  
Por mais rápido que eu ande,
haverá alguém à minha espera,
quando eu atingir meu objetivo.
  
Por mais alto que eu fale,
ainda que domine,
alguém poderá silenciar,
e me subjugar.
  
tioed   (Fevereiro/1978)


ESCRAVO DA LIBERDADE


Meu amor
a vida às vezes tem
ilusões tão passageiras,
que ao ver, em nosso despertar
a ilusão roubada,
vamos ter
em nossa mente revoltada
a vontade de morrer.
  
Não, não sei se vou deixar
o amor me dominar,
não sei se vou querer você.
Eu sou escravo dessa liberdade,
e  você quer prender meu coração.
  
Tanto amor eu tenho por você,
mas eu temo o amanhã
eu, talvez, possa acordar
sem ter você aqui, comigo
e encontrar a morte que virá
e que será o meu castigo.
  
Eu não sei
se o seu amor será puro,
igual ao meu amor.
  
Não, não sei se vou deixar
o amor me dominar
não, não sei se vou querer você,
pois sou escravo desta liberdade
e você quer prender meu coração.
  

tioed (1971)

AGUAS LÍMPIDAS


Eu quis turvar
a agua límpida da fonte,
quis rasgar, insano, 
o céu, entre as estrelas.
  
Em corrida desvairada,
tornar opaca
 a luz que tocava meus olhos,
e me ofuscava.
  
Viria a sede
e secaria a garganta
dos que não me seguissem.
  
Turva, a poluída agua,
mataria o verde das plantas,
as flores não mais exalariam perfumes,
as sementes não germinariam,
a terra seria infértil...
  
...Mas, estanque,
vi a luz que se aproximava
e me presenteava
com jardins primaveris.
  
A fonte jorrava, endeusando a terra,
quando, morto pela consciência,
senti-me envolto em seus braços,
e pude ver a luz
resplandecendo em seu olhar,
penetrando no meu,
queimando,
dilacerando meu coração.
  
tioed (20/02/1978)
  

domingo, 13 de novembro de 2011

REFLEXÃO


... se as portas se fecharem,
corações não mais pulsarem
e mentes não mais refletirem:
" atira a pedra que tens nas mãos "...
  
Depois, enxuga o suor do teu rosto,
toma um banho, se o rio estiver próximo,
prepara tua cama, eterno sepulcro,
ajeita teu travesseiro, e, consciente,
repousa tua mente, refletindo:
  
" minha porta continua aberta, podes entrar,
repousa a cabeça em meu colo,
ouve que pulsa meu coração".
  
... e ao voltares à vida, pensa:
" jamais deixei de refletir ".

tioed (11/01/1978)

MIGALHAS DE AMOR


Eu sou aquele que um dia te olhou
com olhar meigo e o coração singelo,
e se deliciou com a luz do teu olhar,
que é sem dúvida, de todos o mais belo.
  
Aquele que te teve em seus braços,
que ao teu encontro muitas vezes veio
para ter-te novamente em seus abraços
e sentir o calor estonteante do teu seio.
  
Aquele, a quem amas, penso.
A quem beijastes com calor,
aquele, que confiando no teu amor,
só te trouxe desilusão e dor.
  
Sim, sou aquele que não te soube amar,
e o amor que me destes, sei que não mereço.
É pensando nestas palavras, que estou tão triste,
e é por isso que padeço.
  
Sou aquele, que nunca se humilhou a ninguém,
que pensou contra a humilhação sempre lutar,
e hoje aos seus pés vem pedir que tenhas compaixão,
e, as migalhas do teu amor, venhas me ofertar.
tioed (14/05/1969)


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

MOMENTOS DE FELICIDADE

acróstico

Vai longe a felicidade
Embora sempre almejemos
Reconquistá-la
Ao longo desta jornada.

Longe também vai o sorriso,
Unica razão de viver
Concebendo-se a felicidade,
Inda que tarde, bem tarde,
Antes um pouco de dormirmos.

Longe vaga a minha alma,
Antes um pouco do horizonte
Revivendo momentos distantes
Extremos de felicidade,
Sufocados no amanhecer.




sábado, 5 de novembro de 2011

MURO DE LAMENTAÇÕES

Travesseiro, braço direito,
amigo fiel,
pedaço de mundo,
cantinho fiel.

Sorriso firme,
sorriso criança.
Tua presença,
resto de esperança.

Perdoa agora o peito,
meu abalo, meu trejeito,
que desfiguro e caio
em prantos neste leito.

Talvez partas, sei.
Em cortes o peito trarei,
por teu sorriso franco,
que jamais esquecerei.

             (dedicada à fiel amiga Godô, que me apóia em momentos difíceis)

tioed 30/11/1980