segunda-feira, 14 de novembro de 2011

AGUAS LÍMPIDAS


Eu quis turvar
a agua límpida da fonte,
quis rasgar, insano, 
o céu, entre as estrelas.
  
Em corrida desvairada,
tornar opaca
 a luz que tocava meus olhos,
e me ofuscava.
  
Viria a sede
e secaria a garganta
dos que não me seguissem.
  
Turva, a poluída agua,
mataria o verde das plantas,
as flores não mais exalariam perfumes,
as sementes não germinariam,
a terra seria infértil...
  
...Mas, estanque,
vi a luz que se aproximava
e me presenteava
com jardins primaveris.
  
A fonte jorrava, endeusando a terra,
quando, morto pela consciência,
senti-me envolto em seus braços,
e pude ver a luz
resplandecendo em seu olhar,
penetrando no meu,
queimando,
dilacerando meu coração.
  
tioed (20/02/1978)
  

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