Eis a lança que voou,
que cortou, assobiando, os ares.
Eis o sibilo que ecoou,
e, velozmente, cortou os ares.
Abre teu coração para o presente,
que trago, nos trêmulos dedos,
eu te dou o que se fez ausente,
e atravessou florestas de medos.
Eis a lança, que foi atirada,
e que, sem destino, partiu.
Eis a lança arremessada...
Ela transporta o que conseguiu.
Voltou ao ponto de partida,
pendura-a, pois, em forte prego...
Ela lutou brava, enfurecida...
Minha alma, agora, te entrego.
Te dou minha vida,
que no meu peito segrego,
segura, pois, querida,
a pesada cruz que carrego.
tioed (19/09/1974)
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