Assim, assim,
meus dedos
mordidos, machucados,
dedos tortos,
pintavam,
esculpiam
você...
Não podia um minuto sequer,
desdenhar, desenhar,
jogar, atirar você na tela...
Dedos mortos, não podiam retratar você...
Então,
assim, assim, esculpi você...
Em cada estátua, meus dedos falhavam,
e te matavam,
te erravam,
mentiam você...
Tortos os dedos,
levavam meus medos,
assim retratavam quem não era você...
Assim, aos poucos,
minha alma morta, fechava a porta...
Assim, assim,
tirava de mim,
me dilacerava,
me mutilava...
Aos poucos que perdia,
mais te fazia,
esculpia,
te punha aos barros...
Aos poucos te trazia a vida,
e, quanto mais me perdia,
jogando os dedos,
perdendo meus medos,
tu,
que pobre esquecida,
me deu a vida...
Mutilada,
assim, assim,
como te faço,
ninguém vai te querer.
Tioed 03/07/2013
Antonio Francisco Lisboa
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