quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

PRIMEIRO MINUTO


Não poderia ser diferente
outra vez na minha mente.

Teus pés pisando, esmagando 
meus pensamentos...

Não vês?
Não sentes?

Tuas sementes 
suplantam as minhas...

Me dou aos teus pés
aos meus revés,
me ponho ao teu colo,
tu e somente tu,
me abraças,
me acarinhas...
   
tioed (31/12/2014)

(ao primeiro minuto
do último
dia
de um eterno ano)

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

SETA

SETA

Seta,
que aos poucos penetra
o meu coração...

Me mata aos poucos,
caminhos poucos,
desejos loucos
de matar em mim...

Não adianta ferir
já que o mundo acabou.
Não querias me atingir,
e, bem de repente,
cravou...

Se não querias matar,
devias esquecer o ar 
por onde voastes...

Se não querias morrer,
não penetrasse em mim,
em hora nenhuma...

Matando, morrestes;
morrendo, matastes...

A seta matou
um pouco em mim,
de tudo o que se plantou...
   
tioed (30/12/2014)





domingo, 14 de dezembro de 2014

AMO


Me aproximei de você,
que estava a me olhar,
e disse num belo sorriso,
minha amizade vou lhe dar.

Mas o tempo foi passando,
uma dor nasceu em mim,
somente estando contigo,
vejo que ela tem fim.

Me aproximei de você,
mas tenho medo de te olhar,
poderás ver em meus olhos
que estão sempre a te chamar.

Por isso já não te olho,
fixar teus olhos, não estou podendo.
Morreu aquela amizade,
um grande amor está nascendo.



                                                                  tioed  (década 70)

NÃO CHOREI


Eu quis correr, mas não corri,
apenas fiquei aguardando,
balançava, balançava,e, nada...
Apenas tinha você nos braços.
Eu queria mais...
Continuei esperando...
Como um pássaro,
 depois de longa caminhada
a se atirar na copa de uma árvore,
você veio para mim...
O calor do seu corpo me fez tremer.
Eu quis chorar, mas não chorei,
e, não mais aguardei.
Balancei mais, e, mais,
até que a taça transbordou...
Não mais em sonhos ou ilusões,
porem em fatos, em realidades,
Eu quis chorar, mas não chorei,
                                estava feliz!

  tioed (década 70)

sábado, 13 de dezembro de 2014

RÉU CONFESSO

Sou réu,
réu confesso,
pois que, possesso,
pensava em ti...
  
Me dei aos amores,
aos meus sabores,
réu confesso,
me dei a ti...

Réu dos meus pensamentos,
meus sentimentos,
esses dias sangrentos,
me deitaram em ti...
   
Réu confesso,
já sem regresso,
todo entregue,
de tanto ser teu,
esqueci de mim...
   
Réu confesso,
eu te peço,
 não me deixes viver,
não me escravizes,
me afaste de mim...
   
tioed (04/08/2013)

FASES



Rasgo minhas primeiras páginas,
revolvo as terras...

Jogo meus ais,
me dou ao mundo...
  
Sou reverso,
vagabundo...

Sem ver que não te vejo,
penso que sou,
sinto que vou...
   
Ainda assim,
fazes minha vida,
minhas fases,
meus lamentos,
meus tormentos...

Passo...

Passo à passo,
vou vivendo,
 revivendo...
   
Passei,
e ainda passo...

Morro todos os dias,
quando acordo...

Um século sem te ver,
sem te achar...
   
Hoje,
Amo o hoje,
um minuto faz falta...


tioed (06/11/2014)


sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

GUARIDA


Sabe como é?
Não é medo da morte,
que esta, com pouca sorte,
me leva aos pés da fé.

Não! Mesmo que invada o peito,
me faço meio sem jeito,
me arrumo, me ajeito,
deixo que ela me leve ao leito.

Não! Por medo não fujo da morte,
por mais que grande seja, e forte,
trago-a com respeito, amor e carinho.

Me ajeito, preparo, refaço o ninho
sem medo. Nem sei como ela é...
Sem medo me guardo nos braços da fé.

tioed (16/02/2005)

SONHOS


Sonhos...
Só os sonhos,
adentrando
minha alma.

Por si só
me invadem,
acalantam, e,
com calma,
abrem minha mente.
Dos sonhos, vivo,
me faço carente,
dos sonhos vivos,
me faço presente.

Vivo sonhando,
sonho vivendo,
e vivendo, sonho
pensando em você,
eternamente.

tioed (06/05/2005)

Primeira poesia escrita com a "mont blanc", 
presente da minha querida sobrinha
Priscilla Amorim

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

PARADOXO


Meu coração pulsa
em forma de poesia,
(de poesia em forma).
Às vezes, quando me expulsa,
Não sei se escrevo para Maria,
ou se, de Maria, passo à Norma.

Sei que é pequeno,
o espaço
que meu peito reforma.
Não sei se me torno pequeno,
nem sei se grande me faço.

Sê-de, meu peito, sereno,
pra coisa que me transforma.
Aos poucos eu só queria,
por vezes, ao meu lado Maria,
e outras, me deitar,
nos braços quentes de Norma

tioed (década de 80)

COLHEITA


As vezes, tenho
uma dúvida dentro de mim...
Então vou à terra
e me desdenho,
cavo o sulco, revolvo,
(às vezes, rego),
mas planto você
no meu jardim.

Outras me entrego...

Oh! semente, vil quimera!
Sei que a ti planto,
adubo e rego,
mas não sei se colho,
rosa, espinho ou jasmim.

tioed (30/09/2003)

PASSANDO PELA VIDA


A vida não vem só por vir,
tem seus começos, meios e fins.
A vida não vai só por ir,
tem seus tropeços, anseios e afins.

A vida é certa,
e, de maneira correta,
te faz nascer,
viver,
morrer
e renascer.

tioed (01/07/2003)

UM MINUTO DE PAZ

Eu quero um minuto 
de paz.

Eu quero dizer
que meu corpo
jaz.

Um minuto,
que por todo momento,
a vida me traz.

Talvez, um segundo
de paz.

Um só minuto para pensar
é suficiente,
no momento 
que não se desfaz,
crivando-nos,
eternamente.

tioed (05/07/2003)

VITÓRIA


Você só vence,
quando sente o sabor
da vitória...

Este, que desce pela garganta,
aos poucos te levanta
e te traz, da lama
à glória.

Você só vence,
quando dentro de si,
se agiganta o momento de dizer "caí",
e volta aos braços que te acalanta,
e nesses abraços, você diz:
"venci".

Só se chega ao topo,
se passar por todos os degraus,
que um após outro,
a escalada completa.
Se esquecer, mesmo que um só,
 volte, se não voltar,
a busca foi incompleta.

tioed (05/07/2003)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

MUNDO PARALELO


Vou devolver tudo
o que a natureza
me deu.
(alvorecer, 12 horas)

Vou e volto com tudo
o que pode ser meu.
(entardecer, 18 horas)

Vou voltar,
devolver tudo
o que me ofereceu
(anoitecer, 24 horas)

Vou devolver a realeza,
abaixo dela, o conteúdo.
Eis aí meu coliseu:
devolvo a vida.
(renascer, 6 horas)

Te dou a pureza,
entrego meu próprio eu.

(Às vezes, vivo, 
outras vezes,
existe um mundo,
paralelo ao meu).

tioed (27/07/2007)

MULHER, AMANTE E AMIGA


Eu preciso de uma mulher,
que se sente ao meu lado
e não se sinta "cheia".

Preciso daquela mulher
altiva e alheia,
que se deite na cama,
e se sinta amada,
ou tome comigo,
uma cerveja conversando,
sentada na calçada.

Preciso desta mulher,
companheira e amiga,
que, sem querer nem ser,
se deite ao meu colo,
e se abrigue.

Preciso de uma mulher
sem brio, sem brilho,
arrojada,
que, mesmo estando longe,
me ame, até sentir-se cansada,
e, ainda que não amando,
simplesmente,
ao meu lado deitada,
me queira, me afague, me beije.

Que sinta e saiba estar ao meu lado,
protegida e sendo amada.

tioed (no date)

Não vou datar esta poesia, pois ela,
como canção se abriga em meu coração
e a canto dia a dia,
ou a rezo, como oração.

DOCE PORVIR


Todos os males
haverão de 
cair sobre ti.
Todos os vales se abrirão,
e, mesmo que em vão,
ali estarão, à espera de ti.

E tu, haverás de cair,
seja no ocaso (doce poente),
seja na aurora (vida ardente),
haverás de vir, e vais ruir.

Cairás por terra adentro,
(te verei de fora)
neste covil eu não entro,
pois quem entra, chora.

Ainda assim, quero tua face virar,
eis-me gentil, teu rosto a tocar,
voltando-a para o meu lado,
esta tez, ainda hei de beijar,
tocar, como se toca um banjo
beijar como se beija um anjo.

E ei de sorrir, neste doce porvir,
como que a te sentir, tentando subir,
haverás de saber absorver,
que todos os males,
só te levam a cair.

tioed (13/03/2007)

HOMENAGEM À AUGUSTO DOS ANJOS



HOMENAGEM A AUGUSTO DOS ANJOS

Por vezes, ninguém assistiu

    "ao formidável enterro
    da tua última quimera".
    Nem a solidão, que foi pantera,
    companheira separável,
    te abraçou, te carinhou, te beijou...


Acostuma-te ao escarro,

    no barro que te formou...
    inda trago no peito,
    o aperto suspeito
    do cigarro que se fumou.

Ainda assim ficou a chaga

    que, suspeita, te apaga.
    "apedreja esta mão vil
    que te afaga".
    acende o cigarro que se apaga,
    "cospe na boca que te beija",
    respira o ar que se desfaz,
             (ainda que pobre).
    e te abriga na terra
    que te cobre.


tioed (21/03/2007)

(Dia internacional da poesia)

O PEQUENO GRANDE


Cheguei
quase atrasado,
ao meu destino.
Pensei,
que já que já criado,
fosse homem
e não menino.

Cheguei
ao vazio da alma,
ao "clã-destino".
Me apresso, quase sem calma
sinto-me homem
e não menino.

Pensei que um dia,
mesmo sem calma
com certeza venderia
pedaços da minha alma.

Alma pequena
que, mesmo serena,
teria criado
no rumo certo
o meu destino:

Queria ser homem,
e não, menino...

tioed (10/03/2004)

"os teus valores podem ser subtraídos,
tuas memórias, não"


PALAVRA AMIGA


Às vezes eu preciso,
(não gritar), escutar 
uma palavra amiga.
Aí vou ao ciso,
sem pestanejar.

Minha alma me abriga,
e, quando estou indeciso,
para não me torturar,
volto-me a mim mesmo,
me adentro,
me sinto em mim.

Procuro buscar a palavra amiga,
e, por mais que ela me siga,
vou para longe dela,
me dessedentar.

É por isso que não me encontro,
pois me confronto
(sempre comigo mesmo)
às vezes calculado,
por outras, à esmo.

E, quando preciso
da palavra amiga,
por mais que ela me siga,
fico pensando assim:
-"nem sei onde ela está"...
sem saber que se encontra,
dentro de mim.

tioed (07/04/2006)

POR TANTO AMOR

Por tanto amor
que te dedico,
me prejudico,
por tanto me dar.

Por tanto amor
que te dou, 
me magoou,
o jeito de te amar.

Por tanto amor que a ti, tenho,
me desdenho,
sem descansar.

Portanto, amor,
por tanto amor,
volto a me amar.

tioed (21/03/2006)

SIMPLESMENTE MARIA


SIMPLESMENTE MARIA


"Patricia", deveria se chamar Maria...
Beleza nata, pura e clara, que penetra.
Nunca deveria assinar "Poeta",
pois está em você, a mais doce poesia.

Maria, (que insiste se dizer "Patricia"),
quando você fala, minha alma aquieta,
você é a poesia, que de mim faz o poeta,
versando rimas, sem maldade, sem malícia.

"Patricia", querida e doce Maria,
cheia de graça, plena de alegria,
carícia bela, simples e discreta.

"Patricia", me deixa chamá-la Maria,
Simplesmente "você", suave poesia,
apenas Maria,
não "Patricia", nem "Poeta".
   
tioed (21/07/2003)

(poesia dedicada à jornalista e apresentadora da Rede Globo, Patricia Poeta)

https://edivalamorim.blogspot.com





HEI DE CHEGAR

Eu subia por uma escada
onde faltava dois degraus,
passava por escalada,
que, de concreto, vi em paus.

A escada, de perto infinda,
de longe, tão pouco linda,
e, de linda, tão pouco perto.

Gostaria de ver, ainda,
meu peito um pouco aberto,
buscando onde se finda
o próximo degrau,
que, ainda longe,
sinto tão perto.

Eu gostarei de sentir no mundo,
da vida o calor do profundo, 
em cada degrau altivo
o sabor do mundo onde vivo.

tioed (26/08/2004)

PRIMEIRO PULSO


Posso estar acordado,
ainda vendo você!
Você que me atormenta
e atordoa.

Estar acordado,
ainda vendo você.

Vou... Tento fugir
do meu "acordado",
continuo a ver você.

Me abrigo, vou ao leito,
me ajeito, me deito
e ainda vejo você.

Você que me atormenta,
me pega e me deita.

...agora, já dormindo
sem trejeito,
sinto algo em meu peito
e não pergunto porque.

Tenho no corpo extasiado,
mesmo que amargurado,
dormindo ou acordado,
o meu primeiro pulso,
um sonho: 
"você".

tioed (27/08/2004)

PUREZA

Pureza

Tenho uma página branca
diante de mim.
Nesta que vejo,
nada tem, nada escrevi,
mas ela está aqui,
clara e franca.

Olho para ela, ela olha para mim,
talvez queira ressaltar meu desejo...

Eu poderia estar revoltado,
tê-la maculado, pichado,
rasgado e ao lixo jogado...

Mas ela está aqui,
cândida como nasceu,
ninguém riscou nesta página
e nem maculou,
nem uma letra sequer,
ela está aqui,
completamente branca...

Talvez queira relatar meu desejo:
tê-la assim, como está,
imaculada, pura, branca...

E ela, como está, permanecerá,
eternamente franca.

tioed (29/08/2004)

REVOLTA


Dez minutos se passaram,
você chegando,
me beijou e saiu,
saiu de fora,
para dentro de casa.

Antes dos dez minutos,
me cumprimentou,
me beijou e saiu...

-"já volto".
Suas duas ultimas palavras.

Dez minutos depois, você volta,
me acaricia, me beija, me afaga...

Dez minutos antes,
você passou por mim,
foi ao banho e voltou...

Cheiro de sabonete no ar,
odor de rosas, talvez.

Dez minutos antes,
você chegando,
eu te amando...

Você não sabia que,
antes do banho,
dez minutos antes,
eu só queria sentir seu cheiro,
e te ver mulher.

tioed (31/08/2004)

DE CABEÇA PARA BAIXO


Ainda boquiaberto
me descurvo do leito...
Tentando massagear os joelhos,
senti-me com as mãos no peito.

Vou tocar meus pés,
acho o travesseiro,
(que estava sem fronha).

O meu fiel escudeiro,
que deveria a cabeça guardar,
levanta-se "bruxa medonha",
perto do calcanhar...

Aí me dei por conta,
peguei a caneta,
estava sem ponta...

Deus do céu, diabo, diacho...
Com a cabeça ainda tonta,
sem me dar por mim,
deitei-me de cabeça para baixo.

tioed (13/09/2004)

SANTO


Se algum dia,
tuas horas malfadadas
te fizerem cair em prantos,
lembra que, por vezes desgraçadas,
te beijei e te abriguei,
nos meus rasgados mantos.

Se algum dia,
caíres pensativa,
 envolta em teu próprio pesar,
lembra que minha alma cativa
libertou-se, e te fez carinhar.


Se algum dia,
chorares em qualquer canto,
te busco, te envolvo e te acalanto,
do dedo faço meu lenço...

Mas saiba que quando penso,
penso que gostaria
 que tivesses em mim,
o teu santo...

Santo que enxuga teu pranto
que te faz acalanto,
e repousa feliz junto a ti,
no teu canto.

tioed (16/09/2004)

PUNHOS E MENTE


Tu, que tocas meu peito,
enobrece minha alma,
me faz viver,
relembrar poesias feitas
por estes punhos,
por esta mente ,
que as tem de cor.

Tu, só tu, as torna tão infantis,
tão sem sentido,
que me ponho a pensar,
nunca tornar a escrever.

Tu, que tocas meu peito,
empobrece minha alma, 
faz-me ver,
relembrar poesias feitas
por esta mente demente,
que justos punhos recusam
o plantio de tais sementes,
tão sem sentido,
que ponho em meu pesar,
com meus punhos a pensar,
para nunca tornar a escrever.

tioed (05/01/1979)



A POSSE

A Posse

Às vezes sinto,
que estou faminto,
de ter você.

à vezes falo,
no meu embalo,
não sei de que.

Às vezes calo,
porque se falo,
não sei dizer.

Às vezes digo,
outra me intrigo
e quero morrer.

Às vezes morro,
outras eu corro,
até me perder.

Quando me perco,
no mesmo cerco,
sinto você.

E quando você se perde,
ah! Quando você se perde,
sinto possuir você.

tioed (17/11/1978)

CANTO


Está acabando a corda,
acho que vou parar.
Também está acabando o tempo,
e o tempo não pode parar.

Quero vencer, viver e ser!
Talvez vença, antes que acabe a corda,
talvez viva, enquanto o tempo não passa...

Mas, o ser é curto,
e a existência, limitada à corda,
que o tempo dá para a vida.

tioed (08/01/1979)



tio ed 08/01/1979 

NÃO QUERO QUE ME QUEIRAS


Não me queira assim, agora,
sem um porque, uma razão de ser.
Longos anos se passaram,
e, de repente, bem de repente.
pude abrir os olhos,
ah! Eu pude ver...

Tu, o que fizestes destes anos?
Desamores, desencantos, desenganos...
Eu? Uma vida inteira pra  contar...

Não mais as minhas noites foram escuras,
não só a brisa tocou meus lábios,
e procurei não me ferir,
nos espinhos da paixão...

Não só a solidão me abraçou,
abracei a boemia, o violão...

Nem sempre o vazio da fria cama,
ao meu lado, ficou vazio, nem frio,
nem só o cobertor me aqueceu...

Não. Não me queira assim, agora,
tenha um porque, uma razão de ser,
que te quero pela vida,
que sem ti, sinto morrer.

tioed (22/03/1978)

PAZ E GUERRA

PAZ E GUERRA

Nem só a paz é minha companheira,
nas horas que vaga o coração alheio.
Nem só o pensamento é voz traiçoeira,
que delata o meu querer, o meu anseio.

Há também esta guerra no meu peito,
nas vezes que me entrego ao sonho,
que me desperta, às vezes no leito,
em viva voz, um murmurar tristonho.

Este murmúrio, lamento incessante,
me invade a alma, e de tal maneira,
que traz à tona, à todo instante,
a paz infiel, na voz traiçoeira.

tioed (29/03/1979)

POESIA PRIMEIRA


Quando estou sozinho,
fico pensando sem calma,
fico pensando na vida,
o que seria dela sem a alma.

A alma nos faz pensar, 
também nos faz crescer,
um dia nos faz chorar,
por um coração obedecer.

Quando isto acontece,
temos uma suave dor.
como é pura e bela,
a doce dor do amor.

Mas esta suave dor,
também nos deixa magoados,
tudo isto acontece,
quando amamos sem sermos amados.

Pelo cupido fui atingido,
por uma flecha certeira,
isto deu-me inspiração,
para esta poesia primeira.

tioed (década de 60)

QUERIDA


Desde que te vi, 
a minha vida mudou,
até parece que em minha alma,
um novo sol brilhou.

Agora, quando te vejo,
não sei o que acontece,
um suave sorriso amoroso,
em minha boca aparece.

Eu fico tão estranho,
tudo parece rodar,
e, meu passado florido,
fico sempre a recordar.

Fico a ver o teu rosto,
nas espessas nuvens no ar,
fico vendo teus olhos,
olhando pros meus, à brilhar.

Olho pro céu, vejo a lua,
com  lindo esplendor à brilhar.
olho pra terra e vejo,
teus doces lábios a me chamar.

tioed (década de 60)

SEM POESIA


Hoje não há poesia,
pois ainda é dia,
e a noite não vem.

Hoje não há canção,
pois vendi o coração,
à quem nada tem.

hoje não há poesia,
pois, sem alegria,
só sei ser ninguém.

Hoje não há sensação,
pois tem meu coração,
quem eu digo que nada tem.

tioed (23/03/1979)

OFERENDA


Não te trago flores ou presentes,
são coisas que se acabam,
ou logo vêem á morrer.
trago-te versos dos meus,
que talvez, nunca venhas a esquecer.

Não os leia muito depressa.
Leia-os com atenção,
são partes da minha vida,
e os tirei do coração.

A cada momento que se passar,
pensando no amor me vier inspiração,
agradecerei à deusa Haali,
e aumentarei esta coleção.

Por favor, conserve-a bem,
e ponha teu nome no fim,
assim, não te esquecerei,
e te peço: nunca te esqueças de mim.

tioed (década de 70)

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

SEM PRONOMES


Será que és cega?
Será que és muda?
Quando olho não enxergas,
Quando falo, não escutas.

Ando à procura,
Não encontro.
Tenho na vida,
doce acalanto:

Venha, que serás benvinda,
mesmo que não vejas,
mesmo que não escutes.

Estás no canto,
estou no encanto,
mesmo que cega, dou guarida,
ainda que muda, terás a vida.

Tenha quem ouve,
a busca não cessa.
Mesmo que possessa,
venha, procure,
inda que sem pressa.

Eis a vida:
- cega, muda e surda,
em paz, alegre,
sem ver, 
sem falar,
sem escutar,
sem ser...

tioed (24/11/2006)

PLANTIO

PLANTIO


Ouço passos...

É você que, outra vez,
Pisa em minha mente.
Vem contente, leve, altiva;
Para, curva o corpo angelical,
Cava este solo
E com carinho
Deita outra semente.

tioed (década de 80)

TORMENTO


O mundo é mau
Nele todo mundo chora
E é por um pouco de amor
Que todo mundo implora

Não sou feliz...
Tê-la ao meu lado é o que quero
Farei todo o mundo feliz
Se seu amor for sincero

Mas você não vem...
E do mundo ouço o lamento
Com a multidão eu grito
Sua ausência é meu tormento

tioed (década de 60)

PENSAMENTO


Quando eu te vi
Meu coração pulsou
E num salto de alegria
Senti que teu nome murmurou

Desde então querida
Em todos os momentos
Só tu és minha vida
Pois não sais do meu pensamento

Se choro é por ti que choro
Se sorrio, sorrio pra ti
E vejo num só instante
Todos os anos que vivi

Vivo só pensando
Só por ti eu sei viver
A ti estou amando
Sem ti irei morrer.

tioed (década de 60)

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

UNS MINUTOS

Apenas uns minutos.
poucos astutos,
para o amanhã
chegar...
   
Me dou ao leito,
me aconchego,
me deito,
 quero teu peito...
   
Alguns,
apenas uns poucos,
minutos loucos,
para o amanhã chegar...
   
Me vou,
me dou,
me entrego.

Assim me ajeito,
me jogo ao solo,
quero sonhar,
me dar a ti,
uns minutos,
calado ao teu colo.
   
tioed (27/11¹2014)

sábado, 15 de novembro de 2014

DIAS VENCIDOS

Ontem
 eu não sabia onde estava,
aos poucos caminhava,
não encontrava você,,,

Oras...
o ontem passou,
o dia caminhou,
sei onde estou...
   
Horas,
meu relógio andou,
(ou será que parou?)
perdido,
sem encontrar você,
não sei onde vou...
   
Dias perdidos,
dias vencidos,
os meus morridos
sei que não te dou.
   
tioed (15/11/2014)
   

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

SENSAÇÕES


Sentir os perfumes,
os odores,
os calores...

Sentir os abraços,
os passos,
os amores...

É só o que posso,
no meu remorso,
sentir um pouco de amor...
   
Por mais que guarde a alma,
me sinto frágil,
meu ser me condena,
me mata e me acalma...

Então me despeço,
me quebro,
me despedaço...
   
Eis a saudade...

É sempre assim,
quando ela vem,
é pra valer...

Me leva em vida,
me afasta da morte,
quase esquecida,
sem merecer,
me faz morrer...
   
tioed (05/11/2014)





quarta-feira, 29 de outubro de 2014

CRUZES

   
Quase ao centro
o meu rebento
não está comigo...
   
Briga em mim,
perde o abrigo,
esquece o amigo,
bate em mim...

   Nada de novo,
aos redores,
nem me colores,
se apagam as luzes...
   
Dois gravetos levantam,
brigam em mim,
lutam em si...
   
A noite se faz,
meu corpo jaz,
meu ser se desfaz...
   
Quedem-se luzes,
noite se acorde,
morram os dias,
me dou,
levantem as cruzes...
   
tioed (29/10/2014)




   



   

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

ESPAÇO

Eu tenho um espaço,
onde jogo meus dias,
noites vazias,
jogo poesias...
   
Eu tenho um espaço,
onde vaga minha mente,
um corpo descrente,
eterno, sempre presente,
onde jogo meu cansaço...
   
Onde vivo e morro,
ofereço vida,
peço socorro...
   
Espaço,
 e mais um espaço,
são dois,
se fizeram espaços,
memórias,
onde faço meus dias,
minhas glórias...

Eis um espaço,
 por onde passas,
 minhas veias,
minhas vidas...

 Escreves tuas memórias,
 teus caminhos,
teus carinhos,
meus aconchegos,
teus laços,
meu espaço,
no teu abraço...
   
tioed (23/10/2014)




quarta-feira, 15 de outubro de 2014

FLORES E SANGUE









Cultivo rosas no meu jardim,
regando com lágrimas do meu sonho...

Planto e replanto...
No replantio,
não lembro onde as ponho...
   
Nos sonhos, 
os meus prazeres,
minhas tarefas,
meus afazeres...
   
Em cada rosa uma lembrança,
meu sonho de criança,
desabrochar uma canção,
plantada em meu coração...

Cultivo rosas que tem espinhos,
nos meus carinhos,
afloram meus medos,
ferem meus dedos...
   
Aí, nas misturas dos meus prazeres,
posso sentir o cheiro de sangue,
perfume de flores,
o perfume da mulher,
a mulher, dos meus amores...
   
tioed (15/10/2014)


 Não sei se alguém a perdeu, jogou-a fora ou se foi uma oferenda à Yemanjá... Ela estava lá... triste, sozinha, abandonada... Não resisti e a fotografei. Na hora, mesmo não tendo nada a ver, lembrei das suas poesias que falam de rosa... (Darcy N Puga)