Perdoa-me Senhora, que não vivo sem ti,
arrependido, ponho-me aos teus pés
contando tudo que vivi.
Mais uma vez, perdoa-me, pois menti,
não vivi, e, este que aos teus pés se atira,
alem de tudo, mente,
e mente perante o vosso olhar,
dizendo que viveu.
As horas são infindáveis,
minutos duram horas
e nestes dias seculares
compreendo que só a tua imagem
arrasta o pó do que fui,
ao nada em que me transformo.
Não que a vejo como deusa,
e sim como a Senhora que se faz,
que me mata, que me vive
e me adora, que, como criança,
me da o sorriso e o calor,
quando o frio transforma a lágrima
em estalactite.
A vejo como criança
que se faz senhora, quando me mata
a distância e o calor dos teus lábios.
Por isso me venho em prece, confessar,
que a amo e a quero,
que a busco, sem mesmo encontrar,
ao sentir que se finda o dia,
sem um beijo,
sem o calor presente.
Estando envolto pela paixão
dos doces momentos,
me atiro à imagem de tudo
que representas neste jogo,
a peça do lance fatal.
Arrependido, aos teus pés venho, Senhora,
pedir perdão pelas coisas que deixei de viver,
e de ver ao teu lado,
perdão pelas vezes que a fiz magoada...
Mereço castigo,
e o tenho, na ausência das tuas palavras,
no delírio dos meus desejos,
de sentir teus dentes cravando,
de leve, meus lábios,
que jamais foram beijados com tanto amor,
tanta ganância, tanto furor.
Venho confessar que, pelos delitos das fugas,
de tentar me abster dos teus carinhos,
sem querer me apegar, sou agora o pó
que espera o teu sopro divino,
para tentar me recriar.
Não quero mais pecar,
à bem do meu viver,
amém.
amém.
tioed (1981)
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