QUIRIRI
a noite se esvazia
e se enche a madrugada
da mais pura poesia.
Poesia que canta a morte,
da noite que parte, triste,
que morre e tenta ser forte,
e, que forte ainda persiste.
Persiste e rouba e tira,
arranca uma a uma, do céu,
as estrelas, que ao som da lira,
dançavam soltas, vagando ao léu.
E sobrevive na madrugada,
só de penumbra, só de brisa,
de orvalho toda enfeitada.
(Assim, orgulhosa, na noite pisa.)
A noite se foi... não deixou nada,
levou as estrelas e até a lua,
foi-se a imagem tua,
despida dos pudores, pelada, nua.
A noite se esvai, não deixa nada,
da madrugada vive a poesia,
que, meiga, desconcentrada,
não vê, não percebe,
que se aproxima o dia.
Frio, como fria se iniciou a madrugada,
me ponho inerte, absorto, mudo...
e, mudo, não vi, qual morto,
que te puseste ante mim, desnudo,
e em ti, desnuda,
se esvai o frio da madrugada...
Continuo inerte ao ver que vem o sol,
sentindo que se vai a lua,
trazendo em meu corpo o teu cheiro,
que se espalha por toda a rua.
tioed em qualquer dia, década de setenta, século XX.
Em geral as pessoas se preocupam tanto em dar presentes àqueles a quem amam, para vê-los
contentes, que esquecem de se dar às pessoas amadas, para vê-las felizes.
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