segunda-feira, 27 de agosto de 2012

DOIS MINUTOS


Ainda estou no primeiro,
ele é rápido, sutil, passageiro,
o primeiro minuto vem,
você não sabe, não se atina,
você não sente, nem percebe.
  
Então começa a vida,
é doce,
 novos sentimentos,
novos pensamentos...
  
Um coração pulsa,
se ajeita no peito,
(pensa o peito: sou grande, hei de vencer)

Um pouco depois ele te abraça,
te ameaça.

A vida começa, o coração se agita,
mexe, remexe,
sente você, dentro do peito...

Ainda estou no primeiro minuto...
busco o ar, procuro a vida,
ela vem aos poucos, me toca, me pega...
me pegando, me enlaça,
de novo me abraça,
(volto à placenta, busco a vida)

Não quero nascer,
nem te sentir perto,
ainda sou pequeno,
nem nasci.

Meus instintos,
te procuram famintos,
buscam teus seios,
buscam a vida, procuram viver...

Um pouco de ar,
quero respirar, ainda não consigo...

Primeiro minuto, vida difícil,
mais fácil seria desistir, me ocultar,
me omitir...
  
Ainda pensando, vou caminhando,
tem uma vida,
quase escondida, um pouco oculta,
quase esquecida,
"pouco morrida"
na alma contida...

Primeiro minuto que ainda não vivi,
não passei por ele,
ainda não nasci.
  
Mesmo assim me apego,
quero seu ego,
quero nascer,
preciso saber,
sentir exatamente o que é viver.
  
   Ainda reluto,
meu feto bruto não decidiu...
   
 Se este foi meu primeiro minuto,
não quero o segundo,
tenho certeza,
estaria centrado,
de novo voltado,
sem querer nascer,
estando ao teu lado,
sugando teu colo,
mamando em teu seio,
buscando a vida
iria adormecer...
 tioed (04/09/2012)

SONETO DO NOSSO MUNDO


Criamos um caminho só nosso,
creia, vivemos um mundo sem fim.
Só nele você pode, eu posso,
eu vivo em você, você vive em mim.
  
Neste mundo, nós, tudo podemos,
carícias, amores, apegos,
tudo criamos, tudo fazemos,
bruxarias, caldeirões, morcegos.
  
Sou vampiro de grandes caninos,
eternos moços, velhos meninos,
eternizo você, me remoço.
  
Dou vida a você, e eterno amor.
Assim lhe renovo, eterna flor,
cravando dentes no seu pescoço.
  
tioed (27/08/2012)

sábado, 25 de agosto de 2012

IMAGINAÇÃO


Para que trazer uma ruiva,
bem de longe, lá do espaço?
Sim, pra que trazes esta ruiva,
se tenho a morena,
ao alcance do meu braço?
  
A imaginação caminha, vai longe,
chega até atravessar o espaço.
A imaginação caminha, vai longe,
e, talvez até afaste, quem esta
ao alcance do seu braço.
  
Não, não devo fazer charme,
para um amor conseguir,
Não, não vou fazer charme,
nem a uma ruiva inventar,
pois, a morena pode partir.
  
tioed (24/04/1972)

NÃO QUERO RESPOSTAS


O que tu farias, se a pessoa a quem julgas amar-te,
e, de quem tu fizeste, com tua dor, um motivo para tua alegria,
agisse como se já não te amasse?
  
O que farias, se esta pessoa, ao invés de preencher
seu tempo pensando em ti, procurasse outras pessoas
pra conversar, como se tu já não existisse na vida?
  
O que farias, se a única pessoa que pudesse te dar
um verdadeiro amor, um amor onde não existisse barreiras,
um amor que fosse sem qualquer razão, a não ser a de dar amor
e receber amor, se tornasse indiferente a ti?
  
... Estas são perguntas que a gente não inclui no nosso quotidiano.
    São perguntas, que jamais pensaríamos em responder.
    Tente, pois elas estão aí, foram expostas a ti, tente encontrar,
    para elas, uma solução.
  
tioed (24/04/1972)

NÃO SE ARREPENDA


Se você sofreu, e não foi por mim...
Se você chorou, mas, não por mim...
Se você cantou, e não cantou para mim...
Se você sorriu, mas não sorriu para mim...
Se despetalou a flor, mas não por mim...
Se você ama, e sorri de mim,
e, me vê chorando, próximo ao fim,
vá! Não fique aqui,
lembre que seu caminho, eu segui,
mas você não me quis,
não me deu seu doce amor.
  
Vá agora, eu lhe imploro,
não quero que veja que eu choro.
Vá! A vida, hei de vencer.
Vá! Sozinho, quero morrer,
Vá, e se amanhã, você se lembrar,
e por meu amor procurar,
eu peço, não chore por mim,
não chore, você causou o meu fim.
  

tioed (15/09/1974)

SECRETA


Não, não creia em mim,
eu sou do mar, um dia me vou,
em todos os planos vou por fim,
vou findar o que nunca começou.
  
Não posso amar a ti, nem a ninguém,
pois um grande amor tenho eu,
te enganando, engano a mim, também,
não vais ser minha, eu não vou ser teu.
  
Não queria ter te conhecido,
nem desmanchado tuas ilusões,
amanhã já terei partido
e jogado ao solo nossos corações.
  
Não, não me ame, por favor,
deixa teu coração livre para amar,
pois desde pequeno me atirei ao labor,
do forasteiro homem do mar.
  
Deixa tuas mãos livres ao vento;
eu não as queria pegar, creia,
ao pegá-las, senti o tormento,
de não pegar as mãos de uma sereia.
  
Não, não te deixes iludir,
pelas palavras que eu  pronunciar,
pois cedo, amanhã, vou partir,
para os braços do meu amor, o mar.
  
tioed (10/01/1973)

  

  

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

OS ASTROS POR TESTEMUNHAS


Não, amor, ninguém sabe de ti,
nem meus pais, amigos ou irmãos...
Mas eles pensam, e, notaram que sofri,
que tive noites em claro, dias vãos.
  
Viram quando meus olhas brilharam,
minha boca se abriu e a garganta não gritou.
Perceberam que meus gestos mudaram,
e meu coração bem forte palpitou.
  
Amor, a ti, eu fui fiel,
em palavras e pensamentos,
até sofri de mal cruel,
por guardar meus sentimentos
  
Escondi atrás de fortes chamas,
o segredo que nós temos,
eu muito te amo, e tu me amas,
porem só nos dois sabemos.
  
Jamais negarei que te beijei com amor,
quando teus lábios, nos meus punhas,
e se algum dia duvidares, minha flor,
trarei todos os astros como testemunhas;
  
Sei que era dia, não havia estrelas,
mas elas estavam presente a todo momento,
estavam ali, só eu podia vê-las,
dentro do teu rosto, que se fez em firmamento.
  
No teu rosto pude ver também,
teu coração, que não chegava a mil,
mas, creia, batia a mais de cem,
queimando como o sol, na manhã primaveril.
  
E a lua também estava,
neste rosto tão pequeno,
a cada beijo que te dava,
brilhava, como na manhã sem sereno.
  
Não, anjo, eu não poderei negar,
que, com muito amor, te beijei,
e se algum dia, teimares em duvidar,
a ti mesma, como testemunha, terei.
  
tioed (04/01/1973)
  
Rosa, que perfume você tem!
A abelha, disso sabe, e lhe suga com amor...
emprega tanto carinho, tanto calor,
que se compara a mim,
beijando os lábios do meu bem.




A SEMANA SE FINDA


Feliz estou nesta sexta-feira,
que julgo um fim de semana de luta.
Hoje não saberei chorar, mesmo que queira,
pois meu coração em bater feliz, reluta.
- Meus lábios sorriem explendorosamente.
  
Feliz estou, pois, sábado amanhã será
o sol brilhará radiante no céu,
meu coração tua alma encontrará,
retirando, que nos separa, este véu.
- Eu sentirei teu corpo, no meu, quente.
  
Feliz estou, pois se finda esta semana,
afastarei as mágoas e as dores de mim.
Feliz estou, pois só o sábado que nos irmana,
poderá por nesta melancolia, um fim.
- Seremos felizes novamente.
  
tioed (05/01/1972)


quinta-feira, 23 de agosto de 2012

VERDADE


É verdade...
    ...Primeiro eu vi você,
       o mundo todo se apagou.
       foram-se os amigos e colegas
       todos os prazeres e alegrias.
  
É verdade...
    ...Depois, sorri para você,
       uma estrela brilhou no céu;
       os desprazeres já não existiam,
       notei que o mundo todo sorria.
  
É verdade...
   ...Foi quando tive você nos braços,
      quando lhe apertei em abraços,
      que a menina que só chorava, cantou,
      e a música que eu não ouvia, tocou.
  
É verdade...
    ...De repente, não mais ouvi a música,
       mas você, continuou sempre a sorrir,
       eu, de você, fui me distanciando,
       aqui estou, com o coração quase parando.
  
Sorria...
      Sorria, prazer... Sorria, alegria,
      que meu triste canto, entoarei,
      até o dia em que parar,
      e eu, puder chorar com harmonia.
  
tioed (07/01/1973)
  

   

AGRADECIMENTO


Desce, penumbra noturna
desce calma, e, meu corpo envolve,
afasta de mim a tristeza diurna,
desce, e, a paz ao meu espírito devolve.
  
Deixa-me ver, oh! Deus, a beleza
do por sol no horizonte
que, depois de esquecer a tristeza,
depressa levantarei minha fronte.
  
Quem me deixa triste, sei que não é
o dia, que na tarde, morre; 
ele me faz feliz, digo com fé!
É a vida, que para a velhice corre.
   
Porem mais feliz, que no dia, à noite, me sinto,
pois vejo que mais bela, a natureza me apraz.
Agradeço a noite, por não deixar ver o labirinto,
de uma vida cruel, que o dia me traz.
  
tioed (11/01/1973)


DESTINO


Porque te amo? Não sei!
Talvez por teu sorriso,
por tua simpatia, teus olhos, teu olhar...
Por tua cútis, pela cor da tua cútis,
por teus longos cabelos, por teu corpo,
pela maneira de andar, por teus pés...
  
Porque te amo? Não sei!
Talvez por tua sabedoria, tua inteligência,
por teu rápido raciocínio, tua mente sã
por teus pensamentos,
pela bondade do teu coração,
por tua  alma, teu espírito,
por tua presença de espírito,
por teu caráter.
  
Porque te amo? Não sei!
Talvez pelo destino, pela vida, pela razão...
Talvez por tudo isto,
mas, creia amor,
a principal razão
foi Deus ter colocado você
no meu caminho, na minha vida.
  
tioed (19/05/1972)

AUSÊNCIA DA MUSA


Deixa-me vagar sozinho,
que companhia jamais encontrei;
deixa-me sofrer um pouquinho
pois a dor foi só o que encontrei.
  
Foram meus sonhos vãos,
de ser feliz, amar e ter amor,
pois vazias tenho as mãos,
no peito, melancolia e dor.
  
Por isso te peço, te imploro,
mata-me com tua ausência...
mata-me, amor , que não choro,
sempre serei feliz na aparência.
  
Trago os olhos secos, não choro.
Podes matar-me de longe, amor,
estou inerte... Neste mundo não moro...
morro aos poucos, por não sentir teu calor.
  
tioed (18/12/1972)

ACORDA POETISA

ACORDA POETISA

Acorda poetisa,
veja que estás nos braços meus,
acorda e meu cabelo alisa,
desperta dos sonhos teus.
  
Sinta que triste estou,
e triste ainda, vou ficar,
meu corpo se apertou ao teu,
meus lábios, não puderam te beijar.
  
Poetisa, por favor, acorda,
sublimes palavras te falei,
Abra os olhos e recorda,
o triste pranto, que não chorei.
  
Não chorei por estar feliz,
estava feliz como a brisa,
agora meu coração diz:
por favor, acorda poetisa.
  
tioed ((14/01/1973)
  

OFERENDA II


Venho de longe,
 venho do campo,
 de onde o céu não é perto,
de onde se diz que viver é certo.
  
Onde há o verde da esperança,
e, se sorri com sorriso de criança,
aqui estou, em ti, contigo;
vem mais, me livra do perigo;
vem mais, me aperta no teu peito,
faze dos teus braços, o meu leito.
 
Aqui vim, de longe,
de onde se fascina
com o luzir do pirilampo,
de onde se vê todas as estrelas,
a piscar no longo véu azul.
  
Aqui estou, de longe vim,
não se vê o imenso campo de jasmim,
mas à ti, meu amor,
não trouxe artifícios, mas coisas de valor,
e, trago em braço de ferro,
hoje tenho certeza que não erro,
meus versos te trago,
(não só num corpo vago),
pois eis que surge, o primor dos primores,
"coração e veias, plenos de amores".
  
Trago meus versos, e te dou,
verás neles, tudo que sou.
  
tioed (15/06/1972)
  

NADA


Vago com o coração em corte,
gostaria de saber o que vem,
após a tenebrosa morte.
  
Se soubesse, talvez me lançasse
contra ela, para que me acalmasse,
teria um consolo na alma,
pois assim, sofro, e quase perco a calma.
  
Ah! A morte!
Há no coração um corte,
irei me esvair em sangue,
para depois cair exangue.
  
Não teria a vida, nem nada,
só traria a alma sufocada,
me calando, por toda eternidade,
matando, para sempre, esta saudade.
  
tioed (20/06/1972)
  

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

MANTO DE AMOR


Tens os braços gelados, nus ao vento,
quando desabam firmes tempestades,
que atravessam o infindo firmamento,
e te abraçam, te cercam de grades.
  
Teu corpo estremece, quando mais forte
e mais bravio, se põe o vento a soprar.
Eu me atiro a qualquer tipo de sorte,
corro rápido, para te abrigar.
  
Nesta corrida louca que preparo,
percebo que há, no chão, uma flor;
nela eu tenho que pisar, mas, paro.
  
Porem me lembro que precisas de calor,
outra vez me ponho a correr, não paro,
te envolvo em meus braços, manto de amor.
  
tioed (15/05/1972)

A VERDADE


Foi buscando, nos teus olhos, um sonho,
e, nas tuas palavras, uma alegria;
foi buscando nas tuas mãos um afago
e nos teus cabelos o amor;
foi buscando nos teus braços um abrigo,
e no teu coração uma moradia,
  
que senti teu olhar me matando,
tuas mãos me espancando,
teus cabelos voarem nos ares,
envolvendo meu pescoço, me sufocando...
  
Senti teus braços
quebrando os ossos do meu corpo,
e, as batidas do teu coração
estourando meus tímpanos,
foi assim que você me matou, pois me pesou,
a veracidade das tuas palavras...
  

   tioed (10/05/1972)

Nota do autor: "normalmente, poetas matam suas musas. Nesta poesia ela dá o revide, e mata o poeta".

A MANCHA


Subindo certas, de pés suaves,
ou descendo de carnudos quadris,
formosas, admiradas até por conclaves,
do formato da mais perfeita matriz,
estendem-se duas belas pernas.           
  
De incomum loiro dourado,
o pisar firme dos pés macios,
deixa o mundo inteiro pairado,
enchendo até corações vazios,
vão-se aquelas duas coxas paternas.
  
Para ainda mais enfeitar,
uma delas, não sei se esquerda ou direita,
uma mancha cor de vinho, vê-se notar.
Isto só torna mais satisfeita
a ânsia de se admirar, tão belas pernas.
  
tioed (18/03/1972)

DESCONSOLADO


Houve um tempo,
que a vida foi importante...
Eu queria viver,
procurava sorrir a cada instante.
  
Buscava, nas tristezas, uma alegria,
achava nas lágrimas um sorriso.
Esta maneira de ser transformava,
minha vida em um paraiso.
  
Agora estou sem harmonia,
já nem procuro fazer poesia,
vou dormir no início da madrugada,
  
Já não sou feliz, não sou nada,
Só trago no peito um coração calado,
e, rastejo pela vida, desconsolado.
  
tioed (16/03/1972)

REENCONTRO


Brigas, desentendimentos,
intrigas que só causam sofrimentos...
Tudo se inicia em discussões,
fazendo sofrer dois corações.
  
Para que tanto brigar,
enquanto há tanto amor pra dar?
Creio que seja melhor nos entendermos,
para, um dia, felicidades termos.
  
Veja como somos felizes, agora,
perceba que toda tristeza foi embora.
Não é melhor vivermos assim,
eu perto de você, você perto de mim?
  
É por isso que deixo esta poesia,
para vivermos a imensa alegria,
de estamos juntos, novamente,
trazendo nosso futuro, para o presente.
  
tioed (09/03/1972)
  

terça-feira, 21 de agosto de 2012

ESCADA DA AMARGURA


Tudo escuro...
nos degraus à minha frente,
surge um vulto,
de repente, bem de repente.
   
Escadas na vida,
vida nas escadas...
Às vezes tem-se a alma perdida,
como nos contos de fadas.
  
Um degrau a mais,
mais um degrau, depois,
meu coração se desfaz,
como que pisado por bois.
  
No fim da escadaria,
uma estrada para o alem,
a frente vejo minha Maria,
abraçada a um João ninguém.
  
tioed (03/03/1972)

ALAMEDA DA SOLIDÃO


Pleno de gozo e sabores
vou seguindo a vereda,
onde sombreiam as árvores,
nesta extensa alameda.
  
Da vida, que um dia,
tão só tive que passar,
só restou a nostalgia,
que tento, agora, acabar.
  
Nas noites tão frias,
quando nem tinha oração,
sentia  as mãos vazias,
onde hoje tenho um coração.
  
Já tive a vida amargurada,
e um grande amor desfeito,
porem, hoje, nesta madrugada,
imenso amor explode em meu peito.
  
Sempre quis deixar de sonhar,
hoje trago no corpo imensa labareda,
vejo meu sonho realizar,
dando fim, à esta extensa alameda.
  
tioed (04/03/1972)

O CORAÇÃO E A FLOR

 

Duas flores neste jardim,
universo grande, sem fim.
Duas flores novas, ainda em botão,
morando juntas em um só coração.
  
Eis que chega o inverno
e faz de um pensamento o inferno
bate forte na madrugada,
queimando esperanças, esta geada.
  
O pêndulo de um relógio a balançar,
o longo tempo de um caminho a marcar,
vem fazer das duas flores, assim,
apenas uma enfeitar, o imenso jardim.
  
A outra, que o tempo marcou,
o mesmo tempo, para longe levou,
ora, sobrou nesse jardim, imensidade
de amor alegria e felicidade.
  
Lá se vão, unidos para o alem,
vidas, corações e almas também,
restando só amor e felicidade
terão, coração e flor, uma longa eternidade.
  
tioed 13/09/1971

domingo, 19 de agosto de 2012

O TEMPO


Eu sei do passado,
e vivo o presente,
o futuro é sabedoria,
que hei de querer ausente.
  
Já bastam as angústias do passado,
e as torturas que vivo agora,
pois me cubro de cinzas ardentes,
e, de desenganos, meu coração chora.
  
"Não! Não me tragam o futuro!"
Assim gritarei até ficar rouco,
ou, ver a vida terminar em súplicas.
  
No presente, o passado me deixa louco.
Não antecipem o meu futuro,
deixem-me viver mais um pouco.
  
tioed (08/03/1972)

CIRCULO VICIOSO


Quem, por toda uma vida,
companhia procurou,
cai, com a alma esmorecida,
pois de tanto procurar, se cansou.
  
Quem teve a vida agredida
por desesperos e desenganos,
vê, agora, que a batalha vencida,
só lhe causa grandes danos.
  
E, vendo em nada resultar
aquele renhido combate,
haverá de querer, da vida sair.
  
Mas, outra vez, terá que lutar,
para, um dia, em novo debate,
uma grande paixão conseguir.
  
tioed (08/03/1972)
  

UM BEIJO, UMA VIDA


Foi um beijo só,
um beijo dado sem dó,
para matar saudade faceira,
que nos roubou a noite inteira.
  
Foi no meu sonho,
no sonho mais tristonho,
que este beijo aconteceu,
 e trouxe à vida, quem jamais viveu.
  
Mas, eu não pedi tanto
para quebrar o encanto,
queria um momento pra ser lembrado,
queria só, ter você ao meu lado.
  
tioed 03/05/1972

ALGUEM ME FALA DE TI


Enquanto, dentro desta triste noite,
quando já não consigo dormir,
cega-me a luz dos teus olhos...
  
Enquanto, dento desta noite sozinha,
quando, já, nada mais me resta,
busco a ti, dentro da solidão.
  
Enquanto, dentro desta noite vazia,
quando quase nem bate meu coração,
e, quando bate, ele é só teu...
  
Enquanto, dentro desta noite sem nada,
em meu cérebro, um pigmento de raciocínio,
e ele é só teu, é teu ser, sem te ter...
  
Alguem, me fala de ti...
  
tioed (06/05/1972)

LINDA


Só um sorriso como o seu
poderia me fazer sorrir...
Só um rosto como o seu,
me mostraria um feliz porvir.
  
Só seus olhos me mostrariam
o quanto posso viver, ainda,
abrindo esta grande estrada,
toda florida, que jamais se finda.
  
Estava nas trevas,
você me despertou,
um mundo sem maldades
você me mostrou.
  
tenho no rosto vivacidade, ainda,
ele expressa felicidades,
meu ser, deseja amar,
e você é linda.
  
tioed (1972)

  
  

REALIDADE


Se o amor é sonho,
não quero amar.
Se o amor é imaginação,
não quero amar.
  
Não quero,
porque todo amor eu ponho,
no amor que encontrar.
  
Se o amor é mal passageiro,
não quero amar.
Se o amor é bem ligeiro,
não quero amar.
  
O que eu quero
tem que ser verdadeiro,
pra toda vida
tem que durar.
  
Se o amor não é verdade,
não quero amar.
Se o amor é raridade,
não quero amar...
Não quero,
pois você é realidade,
é só você que quero amar.
  
tioed (1971)


DESESPERO


De tantas coisas que meus olhos
te queriam dizer;
de tantas outras que meus lábios dizem,
sinto que não me compreendes...
  
De todo mundo que quero dar,
tu foges para o infindo espaço;
De todo mundo que te dou,
foges, e não queres morar...
  
De todo prazer que eu quero,
e tento te fazer sentir,
sinto tua fuga,  foges,
tenho teu corpo inerte,

De tanto que sinto teu corpo,
não notas minha presença,
te abraças ao vazio,
escapas das minhas mãos,
quando mais te quero, foges,
causando meu desespero.
  
tioed (19/08/2012


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

UM DIA SEM VOCE

  
Quisera um dia
estar sem você.
  
Coração livre,
braços soltos,
viver um pouco da vida.
  
Quisera um dia
que você me expulsasse,
que me deixasse viver sem você.
  
Com você não vivo,
me sinto inerte,
me mato aos poucos,
 sem ter você.
  
Então você volta,
(um século depois)
me tortura,
me procura, me acha...
  
Pega minhas mãos,
 minhas mãos leves,
as levas nos vãos...
(esses da vida, alma ferida
por mais que quis, não tive você).
    
Quisera, um dia,
estar sem você,
me sentir sem você.
 
Mãos nos vãos,
me pegam seus braços,
me jogam aos chãos,
(chãos... dias vãos, ainda lhe quero)
por mais que sinta,
por mais que minta,
eu tenho você.
  
Você me acha, me pega,
me despedaça,
trágica sorte, um século depois,
me traz a morte...
  
A morte vem aos poucos,
me consumindo,
me levando cada vez mais pra longe,
(quem sabe ao certo, me leve pra perto,
peito aberto, pra dentro de você).
  
Assim me vejo,
 doce desejo, intenso,
viver sem você.
 
to be continu(ed)
  
13/08/2012
17/o8/2012.


Ao amor que sempre tive,
amor que sempre vive,
e morre no coração...


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A FLOR


A flor...
O caule...
O receptáculo...
O laço do caule...
As pétalas...
As letras embaralhadas...
Um nome:
Você.
  
Tioed (1971)



DONO DAS TUAS NOITES


Quisera eu,
que pensasses, mesmo, em mim,
e, ser eu o dono das tuas noites.
Quisera, amor,
que ao te deitares,
dedicasses uma oração à mim.
  
Quisera eu,
ser a solidão do teu quarto,
e, ao apagares a luz,
ser a solidão que te envolve.
  
Quisera ser o teu sono,
teu pesadelo, tua noite de insônia,
e tua noite sem sonhos.
  
Quisera ser o teu travesseiro,
e me sentir envolvido
 pelos teus negros cabelos.
  
Quisera ser o teu leito,
para te acalentar,
quando, cansada,
te jogasses sobre mim,
e adormecesse.
  
Quisera ser o teu cobertor,
para te aquecer nas noites frias,
e, nas noites quentes ficar ao teu lado,
velando teu sono.
  
Quisera, amor,
ser o teu despertador,
para, ao primeiro raiar da manhã,
tilintar baixinho ao teu ouvido,
e ser o dono do teu primeiro sorriso.
  
   tioed (13/11/1971)

ANDARILHO DO ESPAÇO


Não, mundo!
Não me deixes te abandonar,
prende-me a ti,
não me deixes a vagar.
  
Eu saí de mim,
viajei por terras distantes,
vi cores e mais cores,
que deixaram meu ser saltitante.
  
Mas, mundo,
nada há melhor que ti,
tuas cores também são belas,
porque, à cada instante, sair de ti?
  
Se algo mais me vier à mente,
não mais terei de partir,
mundo, por favor, me sustenha,
que eu não termine no porvir.
 
tioed (1971)


POESIA DA MADRUGADA


Só eu entendo porque espero
sempre os altos da madrugada,
para fazer, com carinho, uma poesia,
e porque, trago na alma calada,
um amor, que se esconde de dia.
  
Só eu entendo o porque de esconder,
esta chama que trago comigo,
também porque, busco nas madrugadas,
me abrigar e fugir do perigo,
para não tropeçar, nas pedras da calçada.
  
Só eu entendo porque as vidas são ruas,
onde se vai andando, andando sem parar,
e porque, minhas poesias não são suas...
- Qual graça teria em desvendar,
o mistério de algumas poesias nuas?
´ 
Só eu entendo as poesias minhas?
Vocês as lêem e comparam com suas vidas,
por não saberem que estas são rainhas
e senhoras de esperanças vividas,
em tristes horas, em horas tristes, minhas.
  

tioed (1971)

SONHOS NO MEU PRANTO


Imensa multidão cerca o meu amor,
o olhar que lhe dirijo, cortando.
Para o céu olho rápido, vendo seu explendor,
e um rosto, neste explendor, se formando.
  
Oh, céu! Quão pequeno te vejo,
tu, que outrora, parecias infindo,
não satisfazes, agora, meu desejo,
de em ti, colocar este rosto tão lindo.
  
Tuas estrelas, que pareciam brilhantes,
aos poucos o brilho sinto perdendo,
vão ficando tão, mas tão distantes
que só vejo duas, cada vez mais, ardendo.
  
Elas são os olhos do meu amor,
esse doce amor, que não me deixam ver,
enchendo meu rosto de tão grande horror,
que vejo chegada a minha hora de morrer.
  
Nessa ânsia, fico aqui sozinho,
esperando a hora de não mais te olhar
correr para meu amor, e dar meu carinho,
pois sozinha, sei que ainda vai ficar.
  
tioed (14/10/1971)

MISTÉRIO DE AMOR


Não, nem o mais sábio dos sábios
poderia dizer qual a distância que nos separa,
nem com qual calor queram te beijar meus lábios,
nem porque minha vida, só este amor ampara.
  
Não, nem mesmo o mais sábio poderia dizer,
o porque esta louca vontade de sair pelo mundo,
correr, por aí como um boêmio vagabundo,
Inconsciente, mergulhado nesta vontade louca de morrer.
  
Não, ninguém pode este mistério desvendar,
pois são coisas que só cabe a nós suportar,
e ir caminhando, como o mundo nos leva, tristes.
  
Não, nem mesmo o mais sábio dos sábios
poderia dizer porque tu partistes,
e porque, nunca mais pude teus lábios beijar.
   


tioed (1971)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

TALVEZ

  
Talvez tenha mesmo te amado,
sim, um dia eu te amei,
de coração aberto, de alma pura.
Fora aquele amor um jardim,
que floresceu na primavera,
primavera de sonhos
de um coração jovem.
  
Foste tu, mulher,
que despertastes este sonho de alegria.
Ao te ver passar, sorria feliz,
cantava odes de amor...  Ah! a alegria...
  
Porem, mulher, tu mesmo quisestes assim,
as flores daquele jardim  que eram belas,
aos poucos foram murchando, despetalando...
  
Até que veio outro coração, parou,
admirou este jardim, cuidou de suas flores,
regou-as com carinho. Com amor, elas reviveram...
  
Este coração aberto, agora se fechou,
só um coração, aspira o odor dessas flores,
elas o amam, à ele dedicam sua vida.
  
Mulher, assim quisestes,
por teres pisado minha felicidade,
felicidades, não mereces.
  
tioed (1971)

CERTEZA


É algo diferente, o que quero fazer,
quero xingar, pra ninguém perceber,
chorar, pra pensarem que estou rindo...
Algo diferente, pra esconder o que estou sentindo.
  
Quero, assim como amo, odiar,
ver, um dia, o sol se apagar.
Não quero ver flores florirem,
nem quero ver, as crianças sorrirem.
  
Quero algo diferente, sem valor,
quero ver o mundo sem explendor,
quero ser um verme, viver na lama,
se um dia você disser, que já não me ama.
  
tioed (08/11/1971)

LEMBRANÇA


Quem já, com os olhos fechados,
sentiu meus beijos com calor,
e teve os seios colados
ao meu peito, com amor.
  
Quem já, estando ao meu lado,
ouviu-me, bem calmo, falar
deste mundo desencontrado,
depois, louco, querer beijar.
  
Louco, depois, querer beijar,
perdido num amor insano,
depois, parar de pensar,
quase a se sentir profano...

Sei que jamais vai esquecer...
vai, pra sempre, me amar,
vai querer, sempre, reviver,
o amor que quase a fez pecar.
  

   tioed (05/10/1972)


LOUCOS


Eu vou morrendo aos poucos,
não vendo teus olhos brilharem.
Vivo neste mundo de loucos,
que lutam por não enxergarem.
  
Não enxergam aquilo que sinto,
o que trago guardado no peito.
Loucos! Não podem ver que não minto,
que até choro, estando em meu leito.
  
Sim, quantas lágrimas correram
pela face deste ser sofredor...
quantas vezes meus lábios emudeceram,
  
trancando em meu peito esta dor.
Sim, parece que todos enlouqueceram,
cerram os olhos, pra não ver meu amor.
  
tioed (10/11/1971)

Há nesta poesia, uma quebra de regras.
da terceira para a quarta estrofe,
os versos não devem se complementar.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

FORASTEIRA


Um dia eu já fui só,
corri pelos campos, brinquei alegre,
morei no mundo dos deuses,
falei quando devia falar.
Já vivi,
já sonhei, não como sonho agora,
era um coração que batia livre,
batia contente à espera de um amor,
para completar minha felicidade,
mas, parou.
  
A deusa que eu via, finalmente chegou.
Saiu das árvores do meu bosque,
dando uma leve brisa à minha mente.
Agora que devia falar, calei.
Aos poucos fugi dos meus deuses,
povoou em mim, a solidão da morte,
meus sonhos, vi transformados em pesadelos.
Agora que devia falar, não falei.
  
Bárbara, que aqui chegou,
me magoou, desfez minha ilusão,
me fez sofrer, machucou meu coração...
Eu passei por esta vida e não vivi.
  
Foge agora, vá outra vez,
quando devia falar, não falei,
por isso eu mereço sofrer,
e sofrerei calado quando te fores, Bárbara.
  


tioed (14/11/1971)

IARA

  
Eu sonhei com o teu sangue
correndo em minha veia,
vi teu corpo exangue,
estendido na areia.
  
Quente pelo sol da praia deserta
correstes desvairada, louca,
como uma ave que desperta,
gritastes até ficar rouca.
  
Ias na direção da água do mar.
Eu, entre os coqueiros, fiquei parado...
Então o mar parou para não te molhar,
fiquei admirado, abobalhado.
  
Não, não havia segredo nenhum.
Diante de tanta beleza, até mesmo o mar para,
agora sei que é coisa comum
o mar abrir seus braços para Iara.
  
   tioed (14/11/1971)



  

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

A COR DESTE AMOR


Tenho a honra de dizer que amo,
e ter agora atingido a meta.
O mais puro amor, aos céus proclamo,
conheço o amor, tenho alma de poeta.
  
Pelo fogo que, no Sol queima ardente,
e também pelo gelo de Plutão,
trazendo planetas em cor diferente,
digo que amo, sem precisar pedir perdão.
  
Qual a cor deste meu planeta?
Nem mesmo eu sei dizer, é diferente,
talvez tenha brilho qual a um cometa...
  
Um cometa que vaga lentamente...
Eu o vejo, tem na face uma careta,
e, é da cor de um amor demente.
  
   tioed (1971)

ASTROS FUGIDIOS


Se canto à ti, oh! lua,
em breve te escondes.
Se canto à ti, oh! sol,
tu foges e não respondes.
  
Onde está, do pássaro, o cantar?
Porque não entoa melodia sensata?
Do mundo, já não ouço o murmurar,
e me põe em terra, essa solidão ingrata.
  
Sim, lua, também tu, oh! sol,
porque te escondes? Porque foges?
Sei que não tenho voz de rouxinol,
nem entonação como a do grande "Georges".
  
Tu podes te esconder, lua,
minha voz não te alcança, eu sei.
Porem, creia, minha alma é tua,
teu explendor, é tudo que amei.
  
Tu, sol, podes fugir, a noite vem,
fujas com a lua, eu te perdoarei,
não adianta possuir um bem,
pois feliz, sei que nunca serei.
  
tioed (1971)

  

AMOR "PRA FRENTE"


Outra vez, amor, vi o pranto teu,
pranto angustiante que pelo rosto correu,
pranto que  também me fez sofrer
vendo lágrimas em tua boca morrer.
  
Sim, amor, com isso, também sofri,
contigo, amor, também padeci,
por ver que nos cerca tanta maldade,
por saber que querem nossa infelicidade.
  
Amor, não liguemos pra essa gente,
amor, nosso mundo é diferente,
um dia descobrirão que somos "pra frente".
  
Verão que nosso amor, é jardim que floresce
que é como um mito, que nunca perece,
que é a bondade, que o Senhor, nos oferece.
  
tioed (1971)

CANÇÃO DA "FOSSA"


Fossa...
Há uma decisão a ser tomada,
por isso corro nesta jornada,
e, sigo mudo, sem dizer nada...
  
Fossa...
É toda alegria que se finda,
é essa tristeza em minh'alma vinda,
por não ter decidido o que fazer, ainda.
  
Fossa...
Terei que escolher entre duas morenas,
uma, de pele clara e palavras serenas,
a outra, é jambo, de palavras amenas.
  
Fossa...
Ando inquieto, enquanto a cidade dorme,
não achando resposta que me conforme,
volto ao leito, antes que a manhã se forme.
  
Fossa...
por não achar uma solução,
por me atormentar, sempre, esta canção,
por não saber a quem pertence meu coração.
  
tioed (1971)

CANÇÃO PARA UMA POESIA


Ontem eu te vi chegar,
de passos macios, sandálias leves,
como que flutuando no ar,
como canções de amor, breves.
  
De um lado para o outro ia teu cabelo,
navegando, sorrindo na imensidão do ar,
e, teu olhar, como nunca, belo,
mais fez ainda meu coração saltitar.
  
Mais uma vez eu te quis, te amei...
pés de anjo, coração em flor...
Só tu é toda poesia, eu sei.
  
És minha inspiração, exalante odor,
desde pequenina em minha alma te criei,
e, quanto mais cresces, mais em ti eu tenho amor.
  
tioed (10/10/1971)
  

EU SOU TUA MORADA


Tu voltastes de uma longa jornada,
de um amor passageiro, talvez,
regressastes à tua eterna morada,
por isso te peço, "não partas outra vez".
  
Sei que saístes em busca da felicidade,
voltando, agora, ela te sorrirá.
Não devias ter ido, é minha alma cidade,
que para todo o sempre te abrigará.
  
Amor, sinta que meu coração bate forte,
eis a vida que este ser sempre sonhou...
... perceba que tua partida, e minha morte.
  
Tua ida foi punhal, que no meu peito cravou,
e, ferido, muito sangrei por este grande corte,
mas tua volta, logo meu sangue estancou.
  
tioed (17/10/1971)

IMAGEM DO MEU PRANTO


Imagine, veja, sinta esta chuva,
é toda a abóbada que se curva,
e, caindo, transbordante vem à terra...
É toda ternura, que em pranto se encerra.
  
Pare, admire, glorifique esta dádiva,
deixe-a misturar-se com tua saliva,
deixe que tuas entranhas ela toque,
beba mais, deixe que ela te sufoque.
  
Sim, quero que faças tudo isto,
quero também que lembres que eu existo,
para o céu, quero que olhes bem agora,
não é o céu, e sim, meu rosto que chora.
  
Eis meus olhos vermelhos por este pranto,
este que sempre repudiastes tanto,
penetrou em tua alma... Sinta teu calor...
Sentistes, agora, a chama do meu amor?
  
Sim, sentistes. Glórias aos céus, proclamo!
Corra, vá dizer ao mundo, que te amo,
não com o de sempre, tom zombeteiro,
mas, como é digno um amor verdadeiro.
  

tioed (12/10/1971)

domingo, 12 de agosto de 2012

MINUTOS


Estava pensando em você,
vivendo você,
sentindo você.
  
Estando aqui, ou não,
posso te pegar,
acariciar, até amar...
  
Não preciso muito,
preciso quase nada...
Nada nas mãos, nada na vida,
no coração...
   
Pode ser um minuto?
Um minuto com você
é pouco tempo para viver...
  
Se de repente sobrar mais um,
outro minuto,
me apego a ele, quero vencer.
  
Minuto a minuto,
(por pouco tempo)
terei você...
  
Assim te acho,
 assim te amo,
assim te clamo,
me aquieto, não reclamo...
  
Dou minha vida,
quase perdida,
desguarnecida,
 busco você...
  
Minutos poucos,
minutos loucos, querem você...
  
Um só minuto,
me ponho astuto, no meu prazer.
  
Só um minuto,
tempo bastante para viver.
  
Só um minuto sem você,
é muito tempo
para morrer.
    
tioed (12/08/2012)
  
Se minha musa sentisse minha alma,
veria que, por vezes, também me mato,
nem sempre ela morre.
Mato um dia a musa,
no outro,
mato o poeta....







"SÓ O AMOR CONSTROI'


Casas e muros altos, enormes...
Grades que as cercam, todas disformes...
às vezes grandes, outras pequenas, à cercar...
Roubam-me a chance, com toda ânsia, de te amar.
  
Eu, cá de fora, apenas as admiro,
um triste olhar, à uma janela, atiro,
Vezes acesas, ou apagadas, eu, sempre olhando,
querendo falar, das coisas que vão me sufocando....
  
Paro! De um lado para outro, ando,
giro em torno de mim, sempre amando...
Os  amigos vêem minha inquietação...
  
Amigos sabem porque age assim, meu coração;
porque não sou feliz, e, isso me dói...
Sim, porque, a felicidade, só o amor constrói.
  
tioed (14/10/1971)

VEM, MORTE


Ora, para que viver,
se vivo nesta solidão e desespero?
Sim, para que viver,
se em mim, a solidão é exagero?
  
Vem, morte; vem negra e tenebrosa.
Vem... vem e me leva contigo,
leva essa alma, de amor, desejosa,
faze de teus braços meu abrigo.
  
Mais um suspiro me sobe à garganta,
um suspiro doce, todo, de amor, cheio,
que exprime um amor que se agiganta,
mostrando que tu, é tudo que anseio.
  
Vem, morte; de fim à este amor platônico.
Acabe com esta vida pacata e serena,
afasta-te de mim, oh! sonho irônico.
Vem, morte; leva-me pra longe dessa morena.
  
tioed (11/11/1970)

TORRADAS COM MARMELADA PARA MIM


Torradas com marmelada, para mim,
eu peco, para que matem a fome,
deste ser que vive no espaço,
de mãos frias, secas e vazias...
Apressem-se, não se demorem,
trago um coração vazio e faminto,
mas a alma, plena de amor para dar.
 
Torradas com marmelada, para mim,
essa cruciante fome do amor me consuma.
Venho de longe, trago amor em cada braço,
amor que aumenta e pesa mais,
com o passar dos dias...
Venham, com a chama do amor,
acalorem este amor que é fechado
num recinto de tristeza,
solidão e grande pesar.
  
Beijos e abraços acalorantes, para mim.
Saibam, o que sinto não tem nome,
mas pode ganhar, com um simples abraço,
de um corpo que se desfaz em calorias...
Venham, para minha felicidade, colaborem,
estou mostrando, o que sou, como estou,
e o que sinto nesta alma jovem,
ansiosa para amar...
  

tioed (14/10/1971)