segunda-feira, 30 de julho de 2012

OÁSIS


Se a suprema sabedoria
fosse me julgar agora,
sei que não descobriria
a imensa solidão que me apavora.
  
O sorriso que trago na face,
este algo que não é certo,
faria com que ela pousasse
no oásis do meu deserto.
  
Ninguém me daria acalanto,
nem pensariam na minha tristeza,
não sabem que por sorrir, me esforço tanto,
que meu sorriso se faz em fraqueza.
  
Mas, meu oásis é tão pequeno,
que às vezes não tenho rimas
para descrever um sorriso sereno
surgido antes de tantas lágrimas.
  
tioed (década de 70)

LIBERTA-TE


Se um dia
tiveres o olhar perdido
na imensidão do pensamento,
tendo os olhos cravados
no infinito firmamento.
  
Ao ter a mente cravada
na pureza das idéias da alma;
e quando tiveres as mãos livres,
mergulhadas no oceano do teu ego,
alguem te vier oferecer amor cego
querendo que vejas o mundo
transtornando teus pensamentos,
querendo que vejas o que existe na terra,
transformando em lama tua alma,
pisa neste amor vão,
mostra o pedestal,
 em que tua alma está prostrada,
não deixes que aprisionem tuas mãos.

tioed (05/08/72)

LABIRINTO DE TRISTEZAS


Doidamente me pus a andar
por um labirinto de tristezas,
procurando encontrar
um caminho de purezas.
  
Fui pelo mais difícil caminho,
procurando uma saída,
mas, sempre me vi sozinho,
numa triste doce vida...
  
Doidamente me pus a andar,
na tristeza de um labirinto,
quanto mais louco procuro escapar,
ainda mais perdido me sinto.
  
tioed (01/08/1972)


SEDE DE AMOR


Nem o mais forte dos elos
hão de aprisionar minhas mãos,
que hoje flutuam pelo ar,
querendo pegar teus cabelos.
   
Meu egoísmo transparece...
Já vejo um futuro breve
quando rasgarei teus seios
e terei nas mãos, teu coração.
  
Teu sangue manchará meus dedos,
eu, sequioso, retalharei teu corpo...
e, um dia, gritarei vitorioso,
ao ter nestas mãos trêmulas,
tua alma, com sede de amor.
  
tioed (05/08/1972)


domingo, 29 de julho de 2012

POR ENTRE TRAÇOS


Risquei por entre traços
com a tinta do meu sangue
fiz meu dedo como pena...
  
Fiz das letras embaraços,
e, mais confusa ficou,
aquela bobagem pequena.
  
Até que meu dedo parou,
contrariando meu coração,
que sangrando, ainda ficou.
  
Agora falo com desatino
ao ver que, rápido, sem perdão,
tracei a linha do meu destino.
  
Risquei por entre traços de outra vida,
com a tinta do meu sangue,
e, num momento fiz cair exangue,
a vida, que entrou na minha vida.
  
tioed (01/08/1972)
  

TENTATIVA

Tive você,
radiante, nos braços.
Lhe dei todo o conforto
dos meus abraços.
  
Procurei limpar
as manchas do corpo seu,
e lhe fazer tão feliz,
como sempre fui eu.
  
Lhe fiz sorrir...
Sim, você já sorriu,
mas, não de felicidade,
não quis nada, e fugiu.
  
Você me fez chorar,
não vendo que sou eu quem te chama,
correu rápida e desesperada,
atirando-se, outra vez, na lama.
  
tioed (18/07/1972)

"SANGUE"

   
Poetas partem,
morrem enterrados
no próprio ser.
  
Poetas voltam,
chegam mais perto
pensando ter...
  
Partem da vida
e vão, em vão,
eterna vida, alma ferida,
buscando o amor,
então.
  
Poetas partem,
poetas vão,
vão pela vida,
vãos, pela vida...
  
Se acham, se sentem
por mais que tentem,
o tem na mão.
(Poetas voltam...
um coração).
  
Ele que bate,
trazendo poetas,
 levando poetas,
poetas vêm,
poetas vão.
  
Pulsa no peito,
quase sem jeito
quase perfeito
ainda suspeito
leva o poeta,
traz o poeta,
amor perfeito,
no coração.
  
  tioed (26/07/2012)
  
Assim nasce uma poesia,
o peito se afasta, vem a vida
pura, casta,
pega o poeta e arrasta
ao mais interno do próprio ser.
  
Assim nasce a musa,
levanta o poeta,
"não o deixa morrer".
   
considere isto como uma declaração de
fidelidade.

NAVEGANTE


Já houvera visto o mar balançar,
sempre a jogar, em doce cadência,
suas águas, verdes e frias,
contra as pedras da praia deserta.
  
Já houvera visto galeras
singrando os mesmos mares,
longe das mesmas praias,
sentado nas mesmas pedras...
  
Sonhei, e, elevei bem alto meu navio,
o conservei sobre todas as frontes,
passei por todos os sonhos e ilusões,
e trago no convés, as linhas do horizonte.

tioed (18/07/1972)



TORMENTO


Deixas pedras em meus caminhos,
pisas na flor que eu ia colher,
esparramas todos os espinhos
sob meus pés, fazendo-me sofrer.
  
Foi a jura que um dia te fiz,
ao esquecer que te odiava,
lembrando que sempre te quis.
(Foi a jura que fis, quando te amava).
  
Mas, hoje, tudo quero esquecer...
É findo o amor, o ódio foi embora;
quero, como tu, outra vida viver
e peço, "dá-me paz, agora".
  
Dá-me paz nestas horas tristes...
A minha já te dei, tenho certeza,
esqueci, até, que neste mundo existes..
deixa-me ver, do meu mundo, a beleza.
  
Dá-me paz, por favor,
quero viver e já não consigo,
esquece da jura e do meu amor,
não deixe tua negra sombra como abrigo.
  
Paz! É só o que quero.
Não te esqueci, mas esquecerei.
Dá-me paz, que digo sincero
que em ti, jamais pensarei.

tioed  (1968)
  



sexta-feira, 27 de julho de 2012

DESTERRO


Já sinto flutuar sobre meu corpo
as desventuras que sobre ele lançastes.
  
As amarguras a que me destinastes,
já me torturam, me esmagam,
sufocam minhas ações, e eu continuo a pisar
na lama que tirei do teu corpo.
  
Relembro as noites que, feliz,
dormi pensando em ti,
(em meus sonhos eras pura)
mas, sigo no meu desterro,
sabendo que, um dia,
ao sentires o corpo, novamente,
recoberto de lama,
a mesma lama de outrora,
viras me procurar.
  
Eu estarei feliz,
e, sorrirei de ti.

tioed (década de 70)

EU SOU A TUA MORADA


Tu voltastes de uma longa jornada,
de um amor passageiro, talvez.
Regressastes à tua eterna morada,
por isso te peço, não partas outra vez.

Sei que saístes em busca da felicidade,
voltando, agora, ela te sorrirá,
não devias ter ido, é minha alma cidade,
que para todo o sempre te abrigará.

Amor, sinta que meu coração bate forte,
És a vida que este ser sempre sonhou...
...perceba que tua partida é minha morte.

Tua ida foi punhal, que em meu coração cravou
e, ferido, muito sangrou por este grande corte,
mas tua volta, logo meu sangue estancou.

tioed (06/10/1971)


quinta-feira, 26 de julho de 2012

CANÇÃO PARA UMA POESIA

Ontem te vi chegar
de passos macios, sandálias leves
como que flutuando no ar,
como canções de amor breves.

De um lado para o outro ia seu cabelo,
navegando, sorrindo na imensidão do ar...
e, seu olhar, como nunca belo,
mais fez ainda, meu coração saltitar.

Mais uma vez eu te quis, te amei...
Pés de anjo, coração em flor...
ó tu és toda poesia, eu sei.

És minha inspiração, exalante odor,
desde pequenina em minha alma te criei
e quanto mais cresces,
mais em ti, tenho amor...

tioed 06/10/71

já falei, (rc) mais antigo
mais amigo,
que se fez

VONTADE DE SER FELIZ


Porque estar em outros braços
e não dizer toda verdade?
Se longe de ti sofro tanto,
trazendo, no peito, esta saudade?

Se quando, perto de ti,
noto em teus olhos tanta tristeza.
Isso vai me matando,
pois em ti só há pureza...

Às vezes, perto de ti,
te sinto tão longe, amor,
que ao invés de me alegrar,
só aumenta, no peito essa dor.

Não, não te deixo, nem deixarei,
quero acabar com essa saudade,
quero ter você sempre ao meu lado,
e, ser feliz pela eternidade.

tioed (década de 70)

NÁUFRAGO


Eu naufraguei na luz do teu olhar
e vi as luzes das alamedas se apagarem,
uma a uma, até a rua terminar...
E esperei teus olhos me chamarem.

Foram-se os minutos, vieram as horas;
Foram-se as horas, vieram os dias...
Amor, não sei porque tanto demoras,
nem porque tornam-se as noites tão frias.

Quando piscas, mais frio sinto ficar
e sofro com a solidão que em mim se encosta
quando em sono te pões a sonhar.

Tenho tanto medo do teu sonho jamais acabar,
que até minha alma desgosta,
pois naufraguei, na luz do teu olhar.

tioed (30/03/1972)

Poesia branca, aos 15 minutos desta madrugada

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A VOLTA

 Rápido o tempo,
rápida a ida...
sem me esquecer,
do de repente, voltei à vida.
   
Te procurei,
não te achei, caminhos longos,
vidas perdidas...
   
Sou sol, em mim,
meu peito aquece,
um só segundo, é muito tempo
pensando em ti.
  
Olha para mim, vida florescida,
(tua alma profano,
doce desengano)
por quanto vivi,
preciso de ti.
vivo por ti,
 morro
por ti,
pensando em mim.
  
tioed (25/07/2012)
    
Quando eu for maior que você,
serei o mais vil dos seres,
e, não saberei ter você.

Se hoje tivesse,
eu saberia amar você...

Notaram? "do de repente"
  

terça-feira, 24 de julho de 2012

PENSANDO EM MIM


Gosto de me sentir assim,
tendo meu corpo,
sendo meu corpo,
pegando em mim.

Me sinto aqui, estando em mim...

Minhas mãos me tocando,
deslisando, me acariciando, sou mesmo assim.

Estou assim, assim estou,
não paro, não fico, não vou..

Procurando os ombros,
achei duas asas
que me levantam,
que me elevam,alçando vôo...

Vou livre, por aí...

As asas se agitam, se movem,
me levam para dentro de mim.

Chego mais perto,
quase me encontro,
paro, me afronto,
nem sei porque...

Sei, talvez saiba,
(não penso na vida,
tenho guarida)
quando me toco, quando me sinto,
quando sei que sou eu,
me sinto você.

tioed (24/07/2012)

sem comentários, já disse, não sou suicida,
se um dia eu for me matar,
punhal no coração,
matarei você...

ÀS VEZES

Às vezes é bom
não termos ninguém,
não esperarmos ninguém,
não sermos esperados
por ninguém...

É bom sermos nós mesmos,
porem sós, mais ninguém,
e, sabermos onde está a paz,
a solidão, a boemia.


tioed (24/07/2012)

Ainda pensando em você, sentindo você,
vivendo você




SOFRA (te matando outra vez)

Se um dia você não zombasse de mim,
agora eu lhe aceitaria,
ficaria com você,
meu amor só acabou,
por você não me querer.

Agora, sofra!
Quero ver você em lágrimas,
perambulando pelas ruas...
Como eu penei, você deve penar...
Faço votos que esteja viva
quando esse amor passar.

Não! Eu não lhe aceito,
embora tenha pena de você,
você deve sentir o mesmo,
tudo que senti um dia,
enquanto eu vivia chorando,
feliz, em outro lugar,
você vivia...
tioed (mesma época, 72)

JUNTOS

Quero subir
para alto poder gritar.
Quero gritar
para todo mundo ouvir;
quero que ouçam,
para todos saberem;
quero que saibam
para ninguém mais errar...

E, quando ninguém mais errar,
todos, subiremos juntos...

(ao mesmo tempo, no mesmo dia,
de freedom)

tioed (18/02/73)


FREEDOM


Freedom, nós somos freedom
Reunidos num grupo pra estudar
Estando na escola somos freedom
Estando fora, somos também,
Dignos de amor e querer bem.
O grupo freedom é amizade
Marcante, com muita lealdade.
(Sabemos a todos tratar).

Sabemos dar a todos,
O amor que cada um merece

Freedom é liberdade,
Reunida em nossa amizade.
Edival é freedom,
E, o Norberto também,
Disso o Ivo não fica atrás
Olhem, esse grupo é demais,
Mesmo na pior situação,
(Seremos um só coração).

tioed (década de 70)

exatamente em 18/02/1973

MAIS UMA VEZ

Não! Não irei à festa,
para mim não haverá alegria,
tenho que baixar a testa,
e, curtir sòzinho a nostalgia.

Ficarei só, por mais uma vêz,
para mim não será diferente,
não ouvirei a música, talvez,
e, não olharei para a frente;

Lá, ficarei mudo e tristonho,
sem me ligares, verei terminar a seresta,
vendo assim, terminar o meu sonho.

É por isso que não irei à festa,
pois por mais uma vez, suponho,
triste, terei que baixar minha testa.

tioed (década de 70)




PODES VER

Tu podes ver nos meus lábios
quantos beijos tenho para dar,
pode ver que eles estão úmidos,
loucos por te beijar.

Tu podes ver nos meus olhos,
imenso brilho aparecer,
podes notar que estão parados,
ansiosos por te ver...

Tu podes ver em minha face
a inquietude transparecer,
podes perceber que por tua falta,
maldosas rugas começam a aparecer.

Tu podes ver que meus cabelos negros,
aos poucos, mudam de cor,
podes ver que é falta de carinhos,
falta dos teus carinhos, amor!

tioed (década de 1970)

FELIZES AGORA


Eu já sei bem o que trago em meu peito,
não é um orgão manhoso e sem jeito,
nem um coração, como pedra, duro,
mas um coração pleno de amor puro.

E já sei bem o que pra sempre quero,
quero só teu amor, puro e sincero;
e quero ter em mim, a tua alma nua,
e ouvir teus lábios dizendo: "sou tua".

Haverás de dizer, pois sei que me amas,
sentiremos, amor, acesas chamas,
chamas que nos trarão felicidades;

que farão esquecer, de um dia, a saudades
que nos atormentavam a toda hora.
Amor! Seremos felizes agora.

tioed (década de 1970)

55

segunda-feira, 23 de julho de 2012

STOPPED

Parado no mundo,
parado na vida,
só!!!

Passando por aqui,
quase vivi
à beira da rua,
te vendo nua,
quase morri.

Vendo o segundo,
 vivendo
abatido,
quase morri.

Não, não é só minha vida,
outras palavras, na minha contida.

Hoje quase morri,
e, morrendo de amores por ti,
voltei à vida,
voltei a viver.

Nem que me peças,
jamais te darei,
prazeres,
gozos,
lazeres...

 É quase por ti,
sempre por ti,
voltando para mim,
 que não morrerei,
não sofrerei,
nem me amarei.

Sempre, quase por ti,
quase vivi,
quase amei,
e, não morrerei...

tioed (23/07/2012)

Sempre tive em mim, a sua vida,
como a  minha na sua,
laços eternos, eternas lembranças
como crianças,
brincando, enfim...


sexta-feira, 20 de julho de 2012

DOCE CANÇÃO

Eu ouvi os protestos,
suportei-os até o fim.
O que haveria de fazer?
Tinha que ser assim.

Protestaram os admiradores
das minhas poesias,
diziam nunca haverem visto
uma com som de melodias.

Eu suportei calado,
e me pus na corda bamba,
eles não sabem que, ao pensar em ti,
meu coração bate em ritmo de samba

Eles não sabem que são os seus cabelos,
como cordas de violino
e que, quando tenho você na mente,
até ouço repicarem os sinos.

Mas, eu tive que suportar...
Os apupos me iam ao coração,
porem sofri mais ainda,
por não ter comigo um violão.

Aí sim, eu iria desabafar,
iria dizer com muitas alegrias,
o que, naquela hora, me sufocou,
e, quanta canção ponho nas poesias.

Mostraria à todos, minhas poesias,
elevaria bem alto a minha mão,
revelando em cada uma,
VOCÊ, minha doce canção.

tioed (década de 70)

A DISTÂNCIA

De repente
eu te encontrei
em um mundo diferente
do que sonhei.

Vi meus sonhos
e ilusões,
se transformarem em pesadelos,
vi o amor, que era grande, se perder.

Quis pegar sua mão,
mas, a distância aumento
e eu a vi, ao longe, se perder.

Agora eu vejo que é infinita
a distância entre nós.
Volto só, ao meu mundo
para criar novos sonhos
e ilusões.

tioed (03/02/1973)

MENTIRA DE UM POETA


Sou poeta e canto o amor
digo que amo, sou sofredor,
que caio, às vezes, pela vida
e vago, com a alma ferida.

Sou poeta e canto o amor
à este, dou o devido valor,
me sinto, às vezes perdido no mundo,
e ando à noite, solto, como vagabundo.

Sou poeta e o amor eu conto,
formo as frases,  depois desmonto,
fico pensando que nunca sofri.
Caio na verdade, vejo que sempre menti.

Não houve, nunca, nesta vida
uma outra, que, depois de perdida,
fosse, com tristeza, relembrada,
e eterna, neste coração marcada.

Esta é a razão do meu sofrer,
e, o porque de me sentir morrer,
ser poeta, por amor desejoso,
e, por desejar, me tornar mentiroso.

tioed (05/02/1973)







CORAÇÃO VADIO


Sofre, coração vadio,
pois alguem, de leve, te tocou...
Prende-te a este vazio,
que outro coração deixou.

Deixou e não foi embora,
está perto de ti, é teu...
mas, tu o sentes longe à toda hora,
à cada instante sente que o perdeu.

Recorda, pobre coração,
cada coração que magoastes.
Recorda! Sorria de satisfação,
ao lembrar cada um que deixastes.

Agora ficas assim a penar
sem, ao menos, terem te deixado,
te sentes quase estourar,
quando tens outro ao teu lado.

Sofre coração, só em pensar,
que vistes o pranto cair,
de olhos que quiseram te amar,
mas que tu fizestes partir.

Tu, que nunca quisestes ter,
jamais, um outro ao teu lado,
pensas, agora, enlouquecer,
se alguem te deixar magoado.

Sofre, pobre coração!
Se este alguem te deixar,
invoca numa triste canção,
todos os corações
que fizestes penar.

tioed (31/01/1973)

BONANÇA


Cessem os rios, cessem os ventos,
cessem a chuva, iluminem o sol,
brilhem as estrelas.
Parem os operários,
descansem os dedos do escriturario,
desliguem as máquinas barulhentas,
balancem, calmas, as águas turbulentas,
Parem o chorar das crianças.

Pois quero o dia claro como a água da fonte,
quero ouvir o silêncio dos túmulos
pairando no ar...

Desejo as atenções voltadas para onde vou falar.

Hoje vejo grandes saveiros,
vejo senhores cuidando de camareiros,
sinto belo o prazer mais terrível,
e, posso enfrentar dos homens, o mais temível.

É que enquanto tempestades desabavam
vi olhos que, diante dos meus, brilhavam,
brilhavam como quero que brilhem as estrelas...

Depois passou a tempestade, veio a bonança,
meu ser se encheu de esperança,
um sol se iluminou em mim...
um rosto frágil, do meu, se aproximou,
e, num golpe certeiro e ágil,
envolto num silêncio, como o que agora desejo,
quase me sufocou, num ardoroso beijo.

tioed (28/01/1973)

FIM DE UMA CAMINHADA


De paixões em paixões tenho andado,
por este mundo cruel e tristonho,
por onde passei, fui pisado,
esmagado comigo, foi meu sonho.

Agora, que tenho o que sempre quis,
agora, que quero o que sempre tive,
já não me basta só ser feliz,
nem quero perder o que nunca tive.

Nunca tive o que tenho agora,
por isso me entrego com tanto amor,
para mostrar que encontrei a senhora,
nascida no meu jardim -"uma flor".

Desmanchei meu amor em carinhos,
vendo realizarem-se os sonhos vãos,
esqueci que só pisei em espinhos,
trago a felicidade nas mãos.

tioed (24/10/1972)

DÚVIDA


O lamento dos lamentos!
O ai, dos ais!
À cada instante crescem os tormentos,
já não sei por quem sofro mais.

Outrora eu era dono de mim,
sabia sofrer, e por quem sofria.
Sofrendo! Era bom viver assim...
Só tinha um amor, e, muito a queria.

Agora me vem outros pensamentes,
a dúvida paira sobre meu ser,
estou perdido dentro de mim mesmo.

minhas idéias não fazem casamentos,
sofro, por já não saber sofrer,
estou perdido em mim,
vivo jogado a esmo...

tioed (28/09/72)





PROFANAÇÃO

            Estende-me tua mão,
            arranca-me deste pedestal,
            alivia meu coração,
            faça em alegria, esse mal.

Quando te vir,
com ânsia insana,
te alegrares, e sorrir,
ainda se sabendo profana,

            puxando, com desejo,
            meu corpo, pela mão,
            deste érebo em que me vejo,
            dar-te-ei meu coração.

tioed (28/09/1972)
         

Érebo: personificação da escuridão, vácuo...

MALOGRO

Malograram os planos de vitória,
Eu, que sonhei dar um grito de glória,
começo a sentir essa idéia remota,
já sinto o sabor da derrota.

Já não vejo o amor que sonhei,
a começar andar, senti que parei,
recordo os rostos da longa estrada,
são lembranças de uma vida passada.

Hoje sinto o suor, no rosto descendo,
sinto várias derrotas se sucedendo,
tenho como lembranças dessa estrada,
as pernas partidas, que me levaram à nada.

Rastejo por um mundo de desalento,
com o coração cheio de descontentamento
e, já sinto quase parar,
o coração, que teve tanto amor para dar.

tioed (20/09/1972)

PENSEI EM VOCÊ

                   Hoje falaram
                   que o amor inexiste,
                   e, aquela voz
                   ecoou no meu ser.

Procurava saber o significado
daquelas rudes palavras.

                  Meu coração sentiu
                  que elas pesavam demais,
                  deu mais uma batida,
                  e, o sangue quente
                  circulou pelo meu corpo.

Um sangue quente, que era misto
de incompreensão e ira.

                   Senti, que quandoo
                   me passou pelas mãos,
                   elas se contraíram...

O sangue continuou
a circular pelo meu corpo;

                  Houvera saído
                   pelo lado esquerdo,
                  depois passou para o direito.

Porem, eu não conseguia
me encaixar naquela idéia.

Foi então que aquele sangue,
já quase sem forças,
começou a penetrar meu cérebro.

                  Pude, então, sentir
                  que aquelas palavras
                  não eram realidade...

Quando aquele sangue,
que era misto de incompreensão e ira,
se concentrou no meu cérebro,
                  eu pensei em você,
                  e pude sentir você
                  correndo em meu corpo
                  quente como o sangue,
                  meu sangue, "você"..

  • tioed (17/09/1972)

                  

CHOREI COM VOCÊ


Quis lutar contra o mundo
quando vi seus olhos tristes,
quis mostrar à você,
a minha felicidade...

Foi vendo seus olhos tristes
que tentei fazer uma canção,
querendo mostrar à você,
um belo mundo azul.

Quando vi seus olhos chorarem,
e, seus lábios querendo falar,
esperei um desabafo natural.

Mas, seus lábios se abriram,
(sem sequer murmurar)
me disseram tanta tristeza
que esqueci o mundo,
e, chorei com você.

tioed 17/09/1972

(talvez, um dia, te eternizarei,
 farei de ti a musa fiel,
 que sempre, cruel,
apunhala meu coração,
querendo me abrir o céu) 


A CHAMA DO AMOR


Hoje, a chama,
aquela que denominamos
"a chama do nosso amor",
arde com força.

Insistindo em se libertar,
sai do espaço limitado,
atira-se no infinito azul...
balançando, ela tenta, em vão,
alcançar as nuvens,
lar de conforto e amor.

"A chama do nosso amor"
arde, hoje, mais forte,
querendo dizer que sou você,
tentando mostrar
que você sou eu...

O céu a espera
dentro da noite vazia,
ilusões vão despertar,
vindo trazer alegria
ao coração sonolento,
logo que o céu a abraçar...

tioed (13/09/1972)

(Isabel, com muito carinho, desse muito amigo
que para sempre te levará no coração)



quinta-feira, 19 de julho de 2012

LENITIVO


LENITIVO

Queria que imaginasses
os pensamentos que tenho,
quando, furtivamente,
te lanço um olhar ardente...

Gostaria que soubesses
que esses olhos seus,
já penetraram minha alma,
e despertaram meu coração.

Cada instante um olhar,
cada olhar, um instante.
Depois, me volto rapidamente,
e, lanço o pensamento no infinito.

E, o negrume dos teus olhos,
lançando um brilho profundo,
permanece na minha alma,
e adormece  meu coração.

tioed (31/08/1972)

SORRIA

Olha! dizemos agora,
que o mundo é mau.
Olha, só vemos agora
coisas acontecendo...

Mas, veja! Procuremos somar os risos
que demos nesta madrugada,
e, sintamos tudo que há de bom...

Sabe? O mundo é realmente mau,
mas, não lamentemos o que acontece...
Você vai ver que tudo desaparece!
Esperemos só mais um pouco...
O tempo? Alguns anos, talvez,
quando tivermos a tez enrugecida,
viveremos...

Já de cabelos brancos,
sinal que um dia sofremos...
mas, viveremos,
haveremos de lamentar
toda maldade do mundo...
Assim viveremos,
e, saberemos que é preciso esperar,
que é preciso envelhecermos,
para saber que foi maravilhosa,
a vida que vivemos.
Agora, sorria!

tioed (23/08/1972)

MARINHEIRO


Sou marinheiro,
quero o mundo inteiro
girando aos meus pés.

Vou partir em meu veleiro,
outras terras conhecer.
Talvez volte, companheiro,
mas hoje, quero viver.

Minhas velas são de sonho,
meu veleiro de ilusão,
mas, dentro dele me ponho,
com fé no coração.

Vou em busca de um amor,
que sei estar aqui.
Vou em busca de um amor,
que aqui mesmo eu perdi.

tioed (24/08/1972)


ESPERANÇAS PERDIDAS


Mortos estão meus sonhos,
mortas estão minhas alegrias,
mortas estão as folhas
da árvore de um passado,
frondosa árvore, que, por folhas
teve esperanças vazias;
por frutos, ilusões frustradas;
por tronco, toda uma vida.

Mortos estão, em sonhos,
os beijos que dei,
as mãos que tive nas minhas,
também em sonhos...
também em ilusões...

Podres estão aqueles frutos;
secas estão aquelas folhas;
morto está aquele tronco;
morto está o corpo,
que um dia, nos mesmos sonhos,
houvera me pertencido...

tioed (24/08/1972)







quarta-feira, 18 de julho de 2012

PROJETA-TE EM TI MESMO


Projeta-te em ti mesmo,
digo para mim.
 Vira tua face para dentro de ti.
És capaz de ver teu coração?
És capaz de ver teu cérebro?
És capaz de aspirar, agora,
o ar que circulou dentro de ti?

Projeta-te em ti,
digo para mim.
revolve teu passado,
recorda tuas palavras...
haverás de sentir
teu rosto enrubescer,
sentirás vergonha de ti mesmo.

Projeta-te dentro de ti mesmo,
continuo a me dizer.
Tu, que outrora, falavas na alma,
tu, que pensavas em coisas divinas,
falas e pensas, agora, no corpo,
no material, no carnal...

Projeta-te em ti,
mas, retorne breve,
ciente dos teus erros,
certo de tua culpa.
Depois, apodera-te
do mais agudo punhal,
e, crava-o em teu peito.

tioed (24/08/72)




REFLEXOS


Se tu pudesses me sentir
como me sinto,
te sentirias a ti mesma.

Se pudesses me ver
 como te vejo,
verias a ti mesma.

Se pudesses me amar
como te amo,
amarias a ti mesma...

tioed (27/08/1972)


NINGUÉM PENSA EM MIM

Ao longe, todas as luzes da cidade,
ao longe os prédios, as ruas, as vilas,
as casas, as esquinas...
Ao longe, todos os prazeres da cidade,
desta cidade que tenho sob meus pés,
desta cidade que eu piso,
desta cidade que, na madrugada, eu amo...
Amo suas luzes, com seus luzires,
 seus piscares, seus enigmas e revelações,
revelações claras e limpas, que me matam,
me dão tristeza nos olhos
e me fazem estremecer, cair pelo chão.
O mesmo chão que piso, o mesmo chão
onde estão os prédios, ruas, vilas, a cidade toda.
As luzes ao longe luzem
e me dizem tristes verdades;
dizem enquanto estou aqui, triste boêmio,
olhando para cada luz, que:
a luz da casa "A" está apagada
a da "D", desligada,
a da "N" não foi acesa,
a casa "F", está fechada desde muito cedo...
As luzes se apagam, acendem, piscam, falam...
Eu, desesperado, saio do meu pedestal;
quero correr, romper barreiras, muros,
as grades que me cercam,
e, voar por este ar que respiro,
respiro até me sentir sufocado,
até que ele próprio não queira mais
passar pela minha garganta,
e queira rasgar meus pulmões...
E, já quase sem forças,
sentir meu corpo se estatelando
no asfalto desta rua,
na rua desta cidade, destas casas, destes prédios,
e, ficar sob seus pés, sem poder ver as luzes,
que me disseram, na minha noite de boemia,
enquanto tenho tantas mentes passando pela minha,
que eu penso, mas "ninguém pensa em mim".


tioed (14/08/1972)

SELVA DE PEDRAS


Se a cidade foi dormir, e, eu fiquei,
com o corpo e as mãos soltas,
a vagar ao vento,
a buscar consolo para esta angústia

que hoje, mais que qualquer coisa,
me aperta o peito, e, cerra-me as mãos,
tira o acalento, e foge, de repente,
com a alegria, com o prazer e com a vida.

Se fiquei só, para admirar estas ruas,
sob todos esses prédios, nessas esquinas,
sabendo, em cada prédio, milhares de chacinas.
Mais uma vez, vejo, e, trago as mãos nuas.

Deve ser pela tristeza da boemia,
por esta felicidade tardia,
ou talvez, por não ter a alma clara,
que fiquei só, na madrugada calma.

tioed (19/05/1972)







CAMINHADA


Mais uma vez te encontrei,
senti a luz do teu olhar
cada vez mais, se aprofundar,
e a se confundir com a luz do meu.

Não! Se é para minha dor,
não me olhe agora,
vira teu rosto, vá embora,
que eu fique só, com a aurora.

Se não tenho a alma,
que se vá o corpo!
Se não tenho o coração,
que se vá o olhar!

Aurora, consola-me,
abre teus braços,
se um dia cair de cansaço,
acorda-me
quero seguir minha caminhada.

tioed (19/05/72)


terça-feira, 17 de julho de 2012

QUASE MORTO

Com o espirito desencontrado
procuro, hoje, voltar a viver;
por este imenso mundo jogado,
sem sequer saber o que fazer.

Por todos os caminhos percorridos
encontrei diversos corações,
contudo, foram tempos perdidos,
só me restaram desilusões.

Vivi em cada coração, juro,
à busca de paz e conforto,
mas, meu viver foi triste e inseguro.

Só tive brigas e desconforto.
Tendo no coração um grande furo,
volto a viver hoje, quase morto.

tioed (25/09/1972)



DOCE SOLIDÃO

Escarneces agora que me vês
em mal profundo jogado,
enrugues agora tua tez
por sorrir deste pobre coitado.

Sentes lágrimas felizes no rosto,
e, bem alto, de uma vez só
gargalhas muito, e, com gosto,
te alegras sem sequer sentir dó.

Quando, de sereno me vês molhado,
quando em meu rosto vês olheiras,
por ser boêmio triste e ter passado
cantarolando baixo, noites inteiras.

Escarneces, agora, por não saberes
que as noites que assim passei,
só me trouxeram alegrias e prazeres,
pois foi pensando em ti, que baixinho cantei.

Mas, deves te lembrar que não sabes cantar,
e, que passo as mágoas cantando baixinho...
Amanhã, quando alguem não te amar,
nem a solidão virá, te fazer carinho.

tioed 28/09/1972





segunda-feira, 16 de julho de 2012

É SEMPRE ASSIM

Sempre  é assim...
acordado, de novo,
acordando outra vez...

Mãos nuas,
clamando pelas suas
cama vazia,
cobertas frias...

Não vê? não sente?
meu corpo demente
deseja você...

Quero te afagar,
acariciar,
sentir teu corpo quente,
meu corpo carente
precisa do teu.

Sentir que te sinto,
que tenho teu corpo ao lado do meu,
em cima do meu,
embaixo do meu,
dentro do seu...

Mãos frias
vazias
vadias
procuram se encher...

Se encher
no seu corpo, seu rosto,
seus braços, abraços,
preciso você...

Não vê? Não sente?
Meu corpo doente,
meu corpo demente
procura você...

tioed (16/07/2012)

(graças à musa, à deusa que tanto é você)



domingo, 15 de julho de 2012

DESILUSÃO


Há tanto tempo esperei
o amor que ora nasceu,
que veio cheio de alegria,
até vontade de viver me deu.

Eu sorri, sorri e amei...
do meu corpo, o coração quis saltar
e, dizia a cada instante:
"vem amor, quero te amar".

Há tanto tempo esperei,
e, continuo ainda esperando.
Este amor que parecia belo,
agora, aos pouco vai me matando.

Vontade de viver, já não tenho,
em sorrir, já não insisto,
meu ser está pleno de amor,
- "ainda não percebestes isto?

tioed (década de 70)

42

Sim, mesmo só, dentro da noite escura,
quando impaciente eu caminho,
 vou dizendo sem parar, para que eu mesmo ouça,
palavras de amor e de carinho.

A cada passo, ao pisar de leve na calçada,
num longo e profundo suspiro,
e, ao enxugar o rosto molhado pelo pranto,
sinto que me é impossível a felicidade que aspiro.

Oh! Quanta coisa bela eu diria
se meu desejo fosse satisfeito
e eu pudesse sorrir com os lábios e coração,
arrancando essa amargura do meu peito.

Ah! Se eu pudesse tê-la ao meu lado,
Se seus negros cabelos pudesse afagar,
me dessedentar na taça sobejante dos seus lábios
e fazer este sonho jamais se apagar...

Eu me sentiria feliz, e, procuraria
fazê-la compartilhar dessa felicidade.
Viveria só para o amor,
arrancando do meu peito essa maldade.

tioed (década de 70)

43



sexta-feira, 13 de julho de 2012

PASSOS


Vêm em minha direção,
        passos felizes.
        passos que pisam, repisam
        andam e não tropeçam.

        e, vêm...
        o doce pisar dos "carrapetas",
        vêm em minha direção,
        meio cobertos pela "Lee",
        uma "Lee" sinuosa e robusta,
        plena de nádegas,
        nádegas, que a gente assusta...

         Uma que sobe, outra que desce,
          que rebola, rebola,   
          com toda gente mexe.

Vêm em minha direção,
        passos felizes,
        de cintura apertada,
        de braços que se movem,
        que se põem, se antepõem,
        que vão e que vêm...
        Passos felizes vêm,
        vêm em minha direção.

        De mãos leves que abanam,
        mãos de longos dedos, frágeis e finos...
        mãos que balançam, como badalos de sinos.

        Passos felizes vêm,
        e, uma terceira mão,
        que não suporta a emoção,
        vem a alisar as nádegas
       daquela "Lee" robusta,
         robusta e desbotada.

         São passos irritados que param,
         de mãos leves que se agitam,
         e, que dão um bofetão.
         Adeus...
         Agora, são passos que se vão...

tioed (década de 70)

44
  

EU SOL, VOCÊ LUA


Eu Sol, neste verso,
tenho as estrelas e o universo,
sou dono do mundo,
no olhar, um brilho profundo.

Eu Sol, vou pela vida caminhando,
à alguem, triste, procurando,
buscando em todo o espaço
quem me aperte num abraço.

Talvez, pelo tempo que deixei se perder,
hoje, o destino, incruel, me faz sofrer,
e, vago pelo infinito, sou alma nua...

Sou o Sol e não tenho você, Lua...
Jamais nos iremos compreender,
Jamais, nesta vida, deixarei de sofrer.

tioed (década de 70)

45



quinta-feira, 12 de julho de 2012

SEU NOME

Seu nome

Quando estiver morrendo,
desejo estar com a boca livre!
Não me prendam a garganta,
não me dêem entorpecentes.

- Quero estar em sã consciência.

Que eu não morra afogado,
gritando, desesperado por socorro.

Que, não morra quando estiver dormindo,
pois quero, no meu último instante,
gritar com toda força do meu peito,

seu nome,

 que no coração tenho tatuado.

tioed (1970)

46

EU E A FLOR

Só pensei na flor
e na beleza do mundo.
Não me vi na tristeza,
do boêmio vagabundo.

Me vieram versos,
medidos e rimados,
até vi condões de ouro,
por sobre mim pairados.

Agora tudo se foi,
não penso só na flor,
estou de novo vivendo,
já penso em ti, meu amor.

tioed (1969)

47


DEVEMOS VIVER


Quis sorrir, me veio  pranto, e, chorei.
Quis falar,   não me veio a voz, e, calei.
Quis correr contra o mundo,
o mundo foi mais rápido, e, parei.
Quis a vida, não consegui,
vivo em eterna solidão, e, desfaleci.
Quis ver o mundo e muitas coisas belas,
tudo escureceu, e não vi.

Meu coração quis saltar anunciando o verão,
veio o inverno, meu coração parou.
Quis ficar com todo mundo,
ninguém veio à mim, fiquei na solidão.
Quis alegrar minha alma,
não encontrando felicidade, entristeci.

Assim será para sempre,
tudo que eu quero está em você,
você não me deu chance para viver,
embora me amando,está com outro...
Viva e deixe-me viver!

Não deixe que três corações sofram,
por causa de um orgulho mesquinho.

tioed (28/01/70)


48

NÃO ME ENCONTREI


Não, aquele já não era o primeiro cigarro,
houveram outros, antes.
Os "drinks"? Também já não sei...
Houvera o de casa, o do bar, da lanchonete...
Seria aquele o sétimo? não sei...

Só sei que tu não vinhas,
e, antes não tivesse vindo...

A melancolia, não permanecia mais em mim.
Eu já sorria e dançava,
mas, não estava ali... Fui longe...
Fui aos campos e aos céus,
porem, não estava em mim...
Porque?
- Pertences a outro, e, não me contive...

Os "drinks" repetia-os continuadamente,
já não estava em mim,
e, jamais me encontrarei.

tioed (década de 70)

49

AMANHÃ


Hoje eu faço versos de protesto,
digo não mais querer te ver,
maldigo aquele olhar
que tanto me fez padecer.

Não quero em minha cabeça
a tua imaginária mão,
me acalentando para dormir,
nem teus lábios, nem teu coração.

Este coração que em teu peito pulsa,
que agita o teu formoso seio,
que faz viver todo o teu corpo,
que quando passa, me deixa alheio.

Não quero, hoje, teus lábios
felizes como a cor da manhã,
hoje feriste meu coração,
não te quero. Volte amanhã.
tioed (1971)

50

DEIXA


Deixa, amor, que ao menos,
pensando em ti possa escrever.
Escreverei versos de amor e de ódio,
mas, sempre pensando em ti.

Sim, eu disse "versos de ódio",
porem, não um ódio rancoroso,
pois saiba que para ti,
até meu ódio é amoroso.

Te odeio com amor,
porque me fazes sofrer,
se não me amas, não me odeie,
deixa-me, pensando em ti, escrever.

tioed (1972)

51



ESTRELA


Não, estrela,
não te vá...
Tenho amor, comigo.
Não sejas má.

Que adiante te pedir?
O céu é todo teu.
Vá numa suave cadência,
procurar que te perdeu...

Mas, não te demores
neste estrelado jardim,
esse astro não te ama,
fostes feita para mim.

tioed (1971)

52




RAZÃO


Veio o verão
subiu o balão,
quem tinha razão?

Menino anão,
também no verão
foi ao saguão...
Tinha razão?

Não sei, não.
verão,
balão,
anão,
 saguão...
Terei mesmo razão?

Não digo palavrão
a coisa fica sem "jeitão",
e, onde está a razão?

Fiquei sem coração,
estou na solidão,
nem adianta uma oração.
É tarde, perdi a razão.


tioed (década de 70)

53







quarta-feira, 11 de julho de 2012

FORÇA MORAL


FORÇA MORAL



Eu senti, na poesia que fizestes,

o choque que teu coração levou,
quando o amor que tivestes
esse doce mundo, um dia deixou.

Quem sublimes palavras escreve,
em papel simples, pedra ou areia,
nada neste mundo, temer deve,
pois só sinceridade, seu coração rodeia.

Tu escrevestes o que sentias,
envolta em amargura e dor cruel
deixando gravados os tristes dias,
sem teu amor, que fora para o céu.

Tua mente é forte, teu coração é são,
por isso nada deves temer,
se não caístes sem teu coração,
nada no mundo te fará esmorecer.

(do poeta para a poetisa)

14/01/1973

MINUTO DE POESIA


MINUTO DE POESIA

Se em meu minuto de tristeza,
não me viesse a mente uma poesia
após ter se passado, viria a incerteza
e eu não viveria com tanta alegria.

Teria a incerteza de um amor puro
e desse algo que trago no peito.
Seria um coração, como pedra, duro?
ou apenas um órgão manhoso e sem jeito?

Não, ainda não o saberia,
nem traria no peito esta saudade,
esta saudade que tanto me angustia.

Talvez, quem sabe eu não viveria,
se um dia, mesmo que sem maldade,
não pensasse em você,
no meu minuto de poesia.

tioed (década de 70)

54


NÃO TENHO VOCÊ


Olho, porem nada vejo...
     Ouço, porem nada entendo...
                 Falo, mas não entendem o que digo...
       Estou no mundo, mas, não vivo...
           Clamo às multidões! Não me ouvem...
                 Sim, pois você é meus olhos, meus ouvidos,
     Minha boca minha voz e minha vida...
                                                     E eu não tenho você

tioed (década de 70)

56

terça-feira, 10 de julho de 2012

DESENCONTRO


Mesmo que quisesse,
por mais que insistisse,
não te encontraria.

Vagando ao léu,
procurando o céu,
te escondestes, atrás deste véu.

Meus olhos andando,
te procurando,
te buscando,
não te acharam...

Te escondestes,
fugistes...

Mesmo que quisesse
não te acharia
noite após noite,
dia após dia...

Em busca de ti,
me perdi.

Sem rumo,
vaguei.

Vagando, viajei...

Por mais que quisesse,
hoje não te encontraria,
como não encontrei...

tioed 10/07/2012



NÃO TENHO VOCÊ (II)



Olho, porem nada vejo...
Ouço, porem nada entendo...


(ouço um sim, perdido no mundo,
um pedido de vida)
Falo, mas não entendem o que digo...
Estou no mundo, mas não vivo...
Clamo às multidões!
 Não me ouvem...

Você é meus olhos,
meus ouvidos,
minha fala
e minha vida.

Tenho um pouco de nada,
o que me resta,
um pouco do mundo...

Falta a vida,
me falta você...

tioed (1972)

Relendo a versão original, senti que,
havia falta também na poesia.

tioed (2013)



CABELOS NEGROS


CABELOS NEGROS

Tu, mulher de longos cabelos negros,
não mereces sequer os meus carinhos,
fizestes marcas deveras profundas,
no difícil trilhar dos meus caminhos.

Mas, como não mereces os meus carinhos?
(disse mal, mereço ser perdoado?)
Esqueças esta frase, estou mui triste
porque te amo, e, por ti não sou amado.

Queria ter-te feliz ao meu lado,
acariciar de leve tua cútis,
poder te abraçar e deixar de sofrer.

E, desfazendo tua trança índia,
num longo e demorado beijo, feliz,
e, repleto de amor, desfalecer.

tioed (1972)

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