quarta-feira, 18 de julho de 2012

SELVA DE PEDRAS


Se a cidade foi dormir, e, eu fiquei,
com o corpo e as mãos soltas,
a vagar ao vento,
a buscar consolo para esta angústia

que hoje, mais que qualquer coisa,
me aperta o peito, e, cerra-me as mãos,
tira o acalento, e foge, de repente,
com a alegria, com o prazer e com a vida.

Se fiquei só, para admirar estas ruas,
sob todos esses prédios, nessas esquinas,
sabendo, em cada prédio, milhares de chacinas.
Mais uma vez, vejo, e, trago as mãos nuas.

Deve ser pela tristeza da boemia,
por esta felicidade tardia,
ou talvez, por não ter a alma clara,
que fiquei só, na madrugada calma.

tioed (19/05/1972)







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