Escarneces agora que me vês
em mal profundo jogado,
enrugues agora tua tez
por sorrir deste pobre coitado.
Sentes lágrimas felizes no rosto,
e, bem alto, de uma vez só
gargalhas muito, e, com gosto,
te alegras sem sequer sentir dó.
Quando, de sereno me vês molhado,
quando em meu rosto vês olheiras,
por ser boêmio triste e ter passado
cantarolando baixo, noites inteiras.
Escarneces, agora, por não saberes
que as noites que assim passei,
só me trouxeram alegrias e prazeres,
pois foi pensando em ti, que baixinho cantei.
Mas, deves te lembrar que não sabes cantar,
e, que passo as mágoas cantando baixinho...
Amanhã, quando alguem não te amar,
nem a solidão virá, te fazer carinho.
tioed 28/09/1972
Por mais que tenha notado o amadurecimento de suas poesias, as do ano de 72 me tocam profundamente. Parabéns por escrever com tanto sentimento quando ainda era tão jovem.
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