Sou poeta e canto o amor
digo que amo, sou sofredor,
que caio, às vezes, pela vida
e vago, com a alma ferida.
Sou poeta e canto o amor
à este, dou o devido valor,
me sinto, às vezes perdido no mundo,
e ando à noite, solto, como vagabundo.
Sou poeta e o amor eu conto,
formo as frases, depois desmonto,
fico pensando que nunca sofri.
Caio na verdade, vejo que sempre menti.
Não houve, nunca, nesta vida
uma outra, que, depois de perdida,
fosse, com tristeza, relembrada,
e eterna, neste coração marcada.
Esta é a razão do meu sofrer,
e, o porque de me sentir morrer,
ser poeta, por amor desejoso,
e, por desejar, me tornar mentiroso.
tioed (05/02/1973)
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