ao longe os prédios, as ruas, as vilas,
as casas, as esquinas...
Ao longe, todos os prazeres da cidade,
desta cidade que tenho sob meus pés,
desta cidade que eu piso,
desta cidade que, na madrugada, eu amo...
Amo suas luzes, com seus luzires,
seus piscares, seus enigmas e revelações,
revelações claras e limpas, que me matam,
me dão tristeza nos olhos
e me fazem estremecer, cair pelo chão.
O mesmo chão que piso, o mesmo chão
onde estão os prédios, ruas, vilas, a cidade toda.
As luzes ao longe luzem
e me dizem tristes verdades;
dizem enquanto estou aqui, triste boêmio,
olhando para cada luz, que:
a luz da casa "A" está apagada
a da "D", desligada,
a da "N" não foi acesa,
a casa "F", está fechada desde muito cedo...
As luzes se apagam, acendem, piscam, falam...
Eu, desesperado, saio do meu pedestal;
quero correr, romper barreiras, muros,
as grades que me cercam,
e, voar por este ar que respiro,
respiro até me sentir sufocado,
até que ele próprio não queira mais
passar pela minha garganta,
e queira rasgar meus pulmões...
E, já quase sem forças,
sentir meu corpo se estatelando
no asfalto desta rua,
na rua desta cidade, destas casas, destes prédios,
e, ficar sob seus pés, sem poder ver as luzes,
que me disseram, na minha noite de boemia,
enquanto tenho tantas mentes passando pela minha,
que eu penso, mas "ninguém pensa em mim".
tioed (14/08/1972)
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