sexta-feira, 20 de julho de 2012

BONANÇA


Cessem os rios, cessem os ventos,
cessem a chuva, iluminem o sol,
brilhem as estrelas.
Parem os operários,
descansem os dedos do escriturario,
desliguem as máquinas barulhentas,
balancem, calmas, as águas turbulentas,
Parem o chorar das crianças.

Pois quero o dia claro como a água da fonte,
quero ouvir o silêncio dos túmulos
pairando no ar...

Desejo as atenções voltadas para onde vou falar.

Hoje vejo grandes saveiros,
vejo senhores cuidando de camareiros,
sinto belo o prazer mais terrível,
e, posso enfrentar dos homens, o mais temível.

É que enquanto tempestades desabavam
vi olhos que, diante dos meus, brilhavam,
brilhavam como quero que brilhem as estrelas...

Depois passou a tempestade, veio a bonança,
meu ser se encheu de esperança,
um sol se iluminou em mim...
um rosto frágil, do meu, se aproximou,
e, num golpe certeiro e ágil,
envolto num silêncio, como o que agora desejo,
quase me sufocou, num ardoroso beijo.

tioed (28/01/1973)

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